Arquivo de Tag | daniatkins

Resenha: Uma curva no tempo, Dani Atkins

umacurvanotempo

Narrado pela protagonista chamada Rachel, o livro escrito por Dani Atkins começa com uma pequena introdução a respeito de suas “duas vidas” que, para o leitor, inicialmente não faz muito sentido. Porém é nesta mesma página que o tempo “presente” da história retorna cinco anos antes, para o acontecimento chave da história: o acidente no jantar de despedida.

Na primeira versão do trágico acidente, Rachel e seus amigos recém-formados no ensino médio, encontravam-se pela última vez antes que todos deixassem a cidade de Great Bishopford. O grupo era formado por sete pessoas, dentre elas Rachel, seu namorado Matt, Jimmy (seu amigo de infância), Sarah (melhor amiga da protagonista) e a exuberante e nada confiável Cathy.

Os fatos narrados nos momentos que antecedem o acidente serão de grande importância para o entendimento da história. Durante o jantar, podemos perceber a amizade entre Rachel e Sarah (e as dúvidas delas com relação ao caráter de Cathy), os sentimentos de Jimmy por Rachel e a consequente animosidade entre ele e Matt; a insegurança de Rachel em seu relacionamento também fica evidente.

E no desenrolar do evento, um carro desgovernado invade o restaurante, no exato local onde o grupo de amigos estava sentado. Todos conseguem sair a tempo, com exceção de Rachel que fica presa durante a confusão. Matt faz menção de ajuda-la, mas é contido por Cathy, enquanto Jimmy retorna salvando a vida da amiga, entretanto ele não consegue escapar, e acaba morrendo ao fazê-lo.

A história avança cinco anos para o seu presente; nele Rachel encontra-se completamente atingida física e psicologicamente pelo acidente que matou Jimmy. Culpando-se pela morte do amigo, abandonou seus objetivos, afastou-se de Matt e dos amigos e nunca mais retornou à sua cidade natal. Tornou-se uma pessoa isolada, convivendo pouco até mesmo com seu pai, que está com câncer. No que diz respeito à sua própria saúde, a personagem sente fortes dores de cabeça e lida de forma negligente com o fato, apesar da insistência do médico que a acompanha desde o acidente.

Mesmo relutante, Rachel decide ir até Great Bishopford para o casamento de Sarah, após muita insistência da amiga. Chegando à cidade, decide enfrentar as memórias que tanto luta para esquecer, e faz um tour pela cidade antes de comparecer ao jantar de despedida de solteira da amiga. Nele, passa por sua antiga casa e pela de Jimmy – algo catártico e bastante doloroso, que acaba agravando suas já fortes dores de cabeça.

E é na despedida de Sarah que os amigos se reúnem pela primeira vez após o trágico acidente. Todos agem de forma superficial e evitam falar sobre Jimmy, de forma que o jantar corre bem, até Rachel sentir outra forte enxaqueca e precisar ir embora. Matt lhe oferece uma carona, desagradando uma ciumenta Cathy – sua atual namorada.

Após uma difícil conversa com Matt, Rachel fica perturbada e decide visitar o túmulo de Jimmy. Lá, completamente abalada, suas dores se agravam ainda mais e ela desmaia.

Ao acordar no hospital, Rachel encontra uma nova realidade; ela está no hospital porque foi agredida durante um assalto, tornou-se uma profissional de sucesso, está noiva de Matt, seu pai não está doente, e o mais impressionante: Jimmy está vivo. O acidente, antes fatal, agora era sinônimo de sorte, pois todos conseguiram se salvar. Conseguindo lembrar-se somente dos cinco anos seguintes à morte de Jimmy e sem saber nada desta “nova vida”, Rachel inicia uma busca para provar a veracidade de suas lembranças e também familiarizar-se com o que desconhece.

Neste processo, Rachel reaproxima-se de Jimmy, o único além de seu pai que não duvida de sua sanidade. Esta reaproximação fortalece a amizade de que a personagem tanto sentia falta, e permite que antigos sentimentos e desejos venham à tona. Após algumas descobertas, os dois assumem o que sentem de fato e passam a viver uma história de amor, e Rachel finalmente volta a sentir-se feliz e satisfeita com sua vida.

E como todo bom romance, o livro parece estar se encaminhando para o “felizes para sempre” mais provável de todos, até que uma revelação deixa o leitor completamente desconcertado e muda o caráter e o sentido de tudo que acabou de ser lido.

Uma curva no tempo é daqueles livros que provocam amor e ódio nos leitores nas últimas cinco páginas. É possível encontrar opiniões extremamente positivas e emocionadas sobre o livro e ao mesmo tempo em que outras julgam ser o pior livro já escrito. Mas sempre há um ponto em comum: o final é sem dúvida impressionante.

Pessoalmente, ainda estou refletindo sobre o desfecho e não consegui definir uma posição; há momentos em que acho que a história fala sobre amor, esperança e segundas chances, de uma forma poética até. Enquanto em outras horas, só consigo pensar que é tudo uma terrível brincadeira de mau-gosto, bem piegas, de deixar qualquer um desiludido com a vida. Sinceramente, não tenho opinião formada.

Porém, é inegável a qualidade da escrita de Dani Atkins e a forma inteligente como ela conduziu a história, relacionando pequenos fatos a grandes acontecimentos. O enredo é muito bem construído e amarrado, sem pontas soltas, e nenhuma informação é irrelevante. Confesso que o desfecho, para os mais atentos, fica nítido em algum momento da história – mas não perde seu efeito surpresa ou deixa de provocar reflexão no leitor. Concluindo, independente das impressões finais, o livro merece ser lido.

13277947_1138224019577971_16695235_n

Resenha: A História de Nós Dois, Dani Atkins

13250364_1076768505699298_1404203187_n

Um livro sem frases de efeito, citações piegas ou diálogos previsíveis, focado na história que está sendo contada. A História de Nós Dois prioriza a narrativa e, definitivamente, a construção do enredo da “ciranda” amorosa contada pela escritora Dani Atkins.

A autora inicia o livro fazendo uso de uma estratégia bastante curiosa: o primeiro capítulo é na verdade parte do desfecho do enredo, contado em pequenos trechos ao longo de toda a história (para os leitores ansiosos que, como eu, sempre olham a última página de uma obra antes de iniciá-la, não será necessário!). Tal artifício induz o leitor a achar que irá encontrar um final extremamente previsível, fazendo o mesmo ter um choque daqueles ao ler o capítulo final. Confesso que ao terminar a leitura, precisei retornar e reler os trechos de forma contínua, para entender e absorver o que havia acabado de ler, deixando a história ainda mais emocionante.

A partir daí, a história começa a ser contada do ponto da vista da protagonista, a inglesa Emma, que com 27 anos está na noite de sua despedida de solteira. É nesta mesma noite que ocorre o acidente de carro citado na sinopse, acontecimento chave para que a vida dos personagens – Emma, suas melhores amigas Amy e Caroline, seu noivo Richard e o misterioso americano Jack – se cruze e seja modificada de maneira trágica.

Diferente do que habitualmente acontece em enredos com acontecimentos trágicos, os momentos que envolvem o acidente são descritos minuciosamente: antes, durante e depois do ocorrido. E tendo este contexto como base, as personagens principais vão sendo construídas e apresentadas ao leitor, sempre através da ótica da protagonista, que comanda a narrativa.

A família de Emma é introduzida na história aos poucos, porém possui um papel crucial para entendermos os questionamentos, escolhas, medos e incertezas da personagem. E não se demora muito a perceber como o aparentemente consolidado relacionamento amoroso de Emma e Richard foi construído e influenciado por sua família e pelos acontecimentos inerentes a ela.

Podemos dizer que o contrário ocorre na construção de seu vínculo com Jack, algo que começa no momento em que ele salva sua vida. A relação de ambos começa de forma isolada, onde há troca apenas entre os dois personagens, uma conexão é estabelecida e então, ao longo da história, os acontecimentos e opiniões externas aos dois interferirem na relação.

Sendo Emma a narradora da história, os personagens são caracterizados de acordo com as suas impressões, muitas vezes através de uma ótica extremamente inocente. Mesmo com todos os fatos que se apresentam ao longo do livro, é difícil não se “contaminar” pela perspectiva da protagonista, e apesar de todos os pontos positivos de Richard, citados por Emma, o envolvimento do leitor com o sedutor personagem de Jack é imediato – resultado do efeito que o mesmo tem sobre a protagonista. É perceptível que Jack aparentemente tem como qualidades todas as características que o imaturo Richard deixa a desejar.

O relacionamento entre as três amigas é um dos pontos chave e “costura” a história. Mesmo com temperamentos extremamente diferentes, o vínculo formado desde a infância se mantém ao longo da vida adulta, e é retomado após o retorno de Emma à sua cidade natal. Neste momento, podemos observar novamente a inocência da personagem principal, que ignora os acontecimentos do tempo em que esteve fora e as transformações sofridas por seus amigos. Mas é importante destacar que a dinâmica entre Emma, Amy e Caroline funciona, ficando explícito o sentimento e aprendizado ali existentes e também como as personalidades – tão diferentes – se complementam.

Tendo a confiança como tema principal, seja ela em nossos amigos, amantes ou em nós mesmos, A História de Nós Dois é daqueles livros viciantes, de leitura fácil e que trata de situações difíceis, trazendo grandes reflexões com alguns toques de humor (que em sua grande maioria ficam a cargo da chefe francesa de Emma). Atkins acertou no tom leve utilizado para contar uma história triste, trágica, de emoções conturbadas e com um desfecho – sem dúvidas – inesperado e comovente.

13277947_1138224019577971_16695235_n

A História de nós dois : Sinopse

Imagem1

O livro desta semana é da autora inglesa Dani Atkins (famosa por seu primeiro romance, Uma Curva no Tempo) e chama-se A História de Nós DoisSegue abaixo a sinopse e em breve a resenha; até logo!

————————————————————————————————————————————

“Emma tem 27 anos, é linda e inteligente e vive cercada de pessoas que ama. Prestes a se casar com Richard, seu namorado desde a época de escola, ela não poderia estar mais empolgada.

Mas o que deveria ser o momento mais feliz de sua vida de repente vira uma tragédia. Emma sofre um acidente e é salva por um estranho minutos antes que o carro em que ela viajava explodisse.

Abalada, ela decide adiar o casamento. E nesse meio-tempo descobre segredos que a fazem questionar as pessoas nas quais sempre confiara – a ponto de duvidar se deve se casar afinal.

Para complicar, ela se sente cada vez mais ligada a Jack, o homem que a salvou e que não sai da sua cabeça. Jack é lindo, gentil e divertido, de um jeito diferente de todos que ela já conheceu. Por outro lado é Richard quem ela sempre amou…

Uma mulher, dois homens, tantos destinos possíveis. Como essa história vai terminar?”

Fonte: Contracapa do livro.