Netflix e os seus acertos nas novas produções “teen”:

As formulas dos filmes voltados para o público “jovem” já estavam mais que batidas e isso não é novidade para ninguém. Percebendo a falha neste nicho, a Netflix sabiamente lançou recentemente algumas produções excelentes, que merecem ser citadas por suas diferenças com a clássica historinha da cheerleader loirinha se apaixona pelo jogador famoso do time e depois de lutarem contra alguma ex namorada vilã, têm sua tão esperada 1a “noite de amor”.

Neste post vou falar de três delas que eu gostei bastante pelos roteiros com pontos principais nada óbvios:

  • Doce Argumento:

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Sinopse: Dois alunos participam do clube de debate. Eles são rivais e sabem muito bem discordar um do outro. O futuro dos estudantes está em jogo por causa de um campeonato e os dois resolvem deixar as diferenças de lado, despertando sentimentos.

Como sempre as sinopses da Netflix não ajudam muito, mas o filme me interessou primeiro porque aborda uma temática que não temos habitualmente no Brasil: os campeonatos de debates. Segundo porque traz duas atrizes que eu particularmente gosto bastante – Christina Hendricks e Uzo Aduba – no papel das mães dos protagonistas. Aliás não posso deixar de comentar a minha alegria em assistir Aduba em um papel diferente da “Crazy Eyes” de “The Orange is the new Black”, atuando como uma mulher inteligente e empoderada; nunca duvidei do talento da atriz mas é sempre bom ver a versatilidade dos profissionais.

O jovem casal protagonista – Sami Gayle e Jacob Latimore – também me agradou. Ambos são talentosos e em tempos de campanhas mais que justas a favor da representatividade em Hollywood, é extremamente positivo assistir a um protagonista/núcleo de etnia negra no centro da trama. A Netflix tem batalhado bastante pela inclusão em seus elencos e produções, e lançou inclusive um vídeo sobre isto:

Somados a estes pontos o roteiro do filme é bem feito e nada óbvio. O casal central não é popular, ambos possuem suas famílias chefiadas pelas mães e figuras paternas ausentes (o que é uma realidade para inúmeros jovens em todo o mundo) – seja por um pai que sumiu ou pela escolha da mãe por uma “produção-independente”; num determinado momento temos uma reviravolta completamente inesperada na história e, em tempos de exacerbação da meritocracia, a mensagem final entregue ao telespectador não poderia ser melhor.

  • Barraca do Beijo:

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Comparado ao anterior, este filme possui um roteiro mais “bobinho”, mas com um aspecto que julguei interessante. Adaptado do livro de Beth Reekles, o enredo conta a história de Elle (Joey King) e Lee (Joel Courtney), melhores amigos desde o nascimento que criam regras para sua amizade – que não podem ser quebradas. Para arrecadar fundos em um evento de escola, os dois criam uma “Barraca do Beijo”, e usam como atrativo a participação do irmão – galã- mais velho de Lee, Noah (Jacob Elordi) – por quem Elle é apaixonada há muito tempo, mas nunca demonstrou já que é algo contra as regras de Lee. Porém, durante o evento, Noah e Elle se aproximam, estremecendo muito a amizade dos dois.

O filme tem alguns aspectos já batidos mas me agradaram dois pontos principais: a amizade entre os protagonistas – homem e mulher – era o conflito principal e em nenhum momento Lee esteve apaixonado por Elle – o que seria muito clichê; o outro ponto é a vida sexual de Elle não ser romantizada, o que é extremamente importante para a mensagem passada para o público alvo da produção. Elle é uma adolescente que tem desejos, sente atração e é desejada, ela não é uma menina indefesa que entrega sua virgindade como prêmio. Isto me deixou bastante satisfeita.

E de bônus nos aspectos positivos, temos Molly Ringwald – eterna garota de Rosa Chocking – no papel de mãe dos meninos.

  • Sierra Burgess é uma loser:

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Agora vamos falar do meu favorito master: Sierra Burgess! Para começar a protagonista é ninguém menos que Shannon Purser – a injustiçada Barb de Stranger Things. A atriz dá vida à Sierra, uma menina fora dos padrões que não se encaixa no colégio que estuda, é filha de um pai escritor-celebridade e uma mãe linda e popular. E apesar de lidar com todas as frustrações que a cercam, Sierra é uma menina feliz, inteligente, auto confiante, e que não se abala pelo bullying que sofre dos colegas.

Não quero falar muito porque vocês precisam assistir então vou citar alguns tópicos – mas poderia citar vários!:

. Noah Centineo no papel de Jamey

. A amizade entre Sierra e Verônica e a forma como em isto é mais importante do que o romance entre Sierra e Jamey.

. A desconstrução da imagem de “perfeição” de Verônica, e a maneira como as frustrações da mãe afeta a vida das filhas.

. O empoderamento feminino e o enaltecimento da auto-estima, presente em tantas passagens, e toda a mensagem positiva passada aos jovens telespectadores

. A cena em que Sierra expõe toda sua vulnerabilidade para o pai.

. As referências literárias ditas em inúmeras cenas.

. Eu já disse Noah Centineo?!

 

Assistam e me contem suas impressões!!! Existem também outras produções ótimas que falarei em posts futuros,  mas se pudesse dar um ponto de partida, seria com esses três filmes. Recomendo!

Fonte vídeos: https://www.youtube.com/user/NewOnNetflix

 

 

Resenha: Canção de Ninar, Leila Slimani – Tusquets Editores

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Um soco no estômago.

É impossível pensar em outra expressão para resumir a leitura de Canção de Ninar, da escritora franco-marroquina Leila Slimani. Meu primeiro contato com o livro foi assistindo à entrevista da escritora no programa Milênio da Globo News (aliás muito bem direcionada pela repórter Leila Sterenberg). Fiquei muito curiosa com a trama, com a crítica social proposta pela autora e pelos prêmios conquistados pelo livro, que o comprei no dia seguinte.

Desde as primeiras páginas, Slimani acaba com qualquer zona de conforto possível do leitor. A história se passa em Paris, mas poderia ter acontecido em qualquer outra cidade, com qualquer outra família.

O livro não é longo, mas é denso, difícil e incômodo, obrigando-nos a repensar certos hábitos que por ventura tenhamos, e na injustiça diante de uma hierarquia de trabalho. Expõe a facilidade com que personificamos as pessoas à nossa volta e esquecemos que, por trás de uma babá, empregada, entregador, atendente, advogada… existe um ser humano com história, anseios e questões.

O fato do livro não possuir um único narrador foi uma excelente estratégia, pois nos permite ver diferentes pontos de vista da situação que está se construindo, e nos solidarizarmos – ou não – com as personagens envolvidas na trama. Ouso dizer que o livro não defende um argumento unilateral, é possível concordar com ambos personagens em lados opostos de uma discussão, mas nos tira do lugar “comum” de não enxergamos as maneiras as quais trabalhadores e empregados são afetados, durante este conturbado relacionamento como, por exemplo, no caso de babá-pais.

Muitas passagens me remeteram ao filme “Que horas ela volta” , dirigido por Anna Muylaert e protagonizado por Regina Casé – se você não conhece, assista – e a crítica exaltada no filme. A diferença fica a cargo das protagonistas: enquanto a personagem de Regina Casé é uma otimista incurável, a Louise descrita por Slimani é um ser humano cujo juízo vai se modificando e fica marcado pelos duros acontecimentos  e abusos sofridos em sua vida.

Concluindo, Canção de Ninar não aborda apenas uma questão social, mas também como a solidão, a depressão e necessidade de pertencimento podem afetar diretamente o ser-humano e seus atos. Leiam.

Sinopse:

“Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos de classe e entre culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês. “A tensão latente em cada página aquece aos poucos a análise da burguesia, até ser dinamitada por um impulso de violência instintiva.” Stéphanie Dupays e Eric Loret, Le Monde.”

Fonte: www.amazon.com.br

Link para compra:

https://www.amazon.com.br/Can%C3%A7%C3%A3o-Ninar-Leila-Slimani/dp/8542212037?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN&ascsubtag=go_726685122_49363357406_242624078159_pla-440252625090_c_

Resenha: A Carne dos Anjos, Siobhan Dowd – Ed. Agir

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O primeiro contato que tive com a escritora Siobhan Dowd, sem saber, foi ao ler “Sete minutos depois da meia noite”, do autor Patrick Ness. Fiquei tão comovida com um livro aparentemente tão pequeno – mas tão bem escrito – que procurei todas as suas informações possíveis. Descobri então que a premissa partiu originalmente de Siobhan Dowd; como a escritora encontrava-se em um estágio avançado de câncer, temeu não conseguir finalizar a história a tempo e pediu ao seu amigo, Patrick, que o fizesse.

Diante dessa “revelação” fiquei apaixonada pela escritora (como podemos mensurar a generosidade de um escritor para com seus leitores ao entregar uma história para que um colega a finalize?!), algo que cresceu exponencialmente ao ler sua biografia: filha de irlandeses e criada na Inglaterra, Dowd se envolveu em inúmeros movimentos à favor dos direitos humanos e da liberdade de expressão, criando  iniciativas de apoio à infância e adolescência em áreas humildes de diversas cidades. Infelizmente, os temores de Dowd com relação à sua doença se concretizaram, e ela veio à falecer em 2007, com apenas 47 anos de idade.

Procurei todas as publicações possíveis da escritora; e fico muito triste em dizer que a única traduzida para o português é “A Carne dos Anjos”,   obra que lhe rendeu premiações, excelentes críticas e uma indicação para o  Guardian Children’s Fiction Prize.

Comprei o livro e ele ficou um bom tempo parado na minha estante até que eu criasse coragem para lê-lo.  O enredo é baseado em uma história real, e conta a história de Shell, uma adolescente de apenas 15 anos mas que já passou pelas mais tristes e adversas situações em sua vida: a morte da mãe, o alcoolismo do pai, a responsabilidade pelos irmãos mais novos, o abuso de amigos e ainda irá se ver no meio de um escândalo envolvendo a Igreja em uma pequena cidade católica Irlandesa.

A história é muito, muito pesada, daquela de arrancar lágrimas e revolta a cada capítulo mas, Dowd a contou de forma tão honesta e até mesmo pura, que apesar de toda a tristeza presente naquelas páginas, conseguimos ter momentos de leveza e alegria durante a leitura. E isto me mostrou a genialidade da autora, que provoca no leitor os mesmos sentimentos os quais a protagonista enfrenta, ora inserindo-nos na história e ora nos deixando sedentos pela vontade de cuidar de Shell e livra-la de todos aqueles males.

Um livro triste com uma narrativa forte e difícil de digerir, mas excepcionalmente bem escrito, tornando seu processo de leitura algo emocionante e…enriquecedor. Indico muito, e imploro para que editoras brasileiras traduzam as outras obras da escritora. Siobhan Dowd merece – e muito – ser lida e apreciada por todos que tiverem a chance.

 

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“She had the characters, a premise, and a beginning. What she didn’t have, unfortunately, was time.”
—Patrick Ness, in the Author’s Note to A Monster Calls

“Ela tinha os personagens, a premissa e o início. O que ela não tinha, infelizmente, era tempo” (T.L.)

Review: American Horror Story – Apocalypse – EP03: “Forbidden Fruit”

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“Surprise, Bitch!”

Eu fiquei tão impactada pelo episódio da semana passada, que confesso que acabei procrastinando este Review, porque sinceramente: não sei nem por onde começar! Mas…finalmente AHS Chegou!!!!

Foram tantas informações e plots maravilhosos, que mesmo nas cenas pré abertura já ficamos chocados! E se você ainda não assistiu ao episódio, vai aqui aquele – ALERTA SPOILERS – de sempre.

E vamos aos tópicos!

. Mallory: Finalmente Billy Lourd mostrou um motivo para Mallory estar no enredo não é mesmo?! Logo na sequência inicial do episódio, assistimos à Michael fazendo novas entrevistas para o “Santuário”. E durante a entrevista da ajudante de Coco acontece um embate entre eles, onde o Anticristo finalmente mostra sua face e Mallory seus poderes, deixando no ar o fato de que “parece ter algo dentro dela sempre querendo sair”. Não sabemos ainda do que se trata, mas o fato é que o poder de Mallory assustou Michael – a ponto dele pedir ajuda à seu “pai”, Satã. (E tivemos uma excelente melhora na atuação de Billy Lourd, preciso comentar!)

. Dinah Stevens: Durante outra entrevista de Langdom, desta vez com a apresentadora Dinah, informações importantes nos são dadas e de forma tão simples que passam até um pouco despercebidas; primeiro fica claro que eles já se conhecem, e que os poderes de Dinah não são fortes o bastante para representar uma ameaça aos planos de Michael. E também vemos uma espécie de negociação entre os dois, o que diz bastante sobre o caráter da apresentadora. Também vemos a relação entre ela e Andre ser explicada: eles são mãe e filho.

. Mead: Através de flashbacks, conhecemos melhor sua história; ela é uma máquina criada para ser agente da Cooperativa, mas que teve um processo de envelhecimento similar ao humano. Projetada por Michael, ele colocou nela alguns traços da personalidade da “única mulher que o amou e entendeu”, subentendendo que ela foi moldada com características de Constance (Jessica Lange, 1a temporada, avó de Michael). Esta conexão entre eles é dita durante a entrevista dela, e terá grande importância mais à frente.

. O retorno de Brock: O marido de Coco, Brock, consegue invadir o Posto mesmo com todas as mazelas consequentes da radiação e assassinar Coco, na cena mais tragicômica da temporada. Mas pessoalmente, mais importante que o retorno, foi o fato de que seu plot permitiu ao telespectador entender como está funcionando a dinâmica no “mundo exterior” e como os ataques afetaram a saúde e a personalidade dos sobreviventes.

. O Plano de Veneable e Mead: Com a reprovação de Veneable no teste para ir ao Santuário, as duas bolam uma forma de irem juntas para o local prometido por Michael. Elas decidem fazer uma festa de Halloween, envenenando um lote de maçãs que chega misteriosamente ao Posto (daí o nome do episódio, o fruto proibido), oferecendo-o aos demais moradores durante a festa. Com exceção de Coco e Michael, todos os moradores morrem durante a comemoração, conforme o planejado.

. A traição de Mead: Como Michael não foi atingido pelo plano das maçãs envenenadas – e não, isso não é uma parábola infantil – Veneable e Mead vão até seus aposentos para executá-lo só que… o resultado não é exatamente o esperado. Como eu falei anteriormente, existe uma conexão entre Mead e Michael, uma lealdade que nem ela entende direito; na hora de executá-lo ela não consegue, e acaba executando Veneable, induzida por Michael. Aliás este é o momento onde Langdom deixa claro que ele era a “cabeça” por trás do plano das maçãs, já que prefere influenciar as pessoas à sujar as próprias mãos – algo que ele alega ter herdado do pai dele. Esta informação pode ser um pequeno “spoiler” para que futuramente nós possamos entender os motivos que levaram os humanos a causarem o Apocalipse.

E aí, todo mundo morto, caos instalado, o episódio com aquela cara de final quando de repente temos uma mudança na trilha sonora e finalmente vemos entrando nos arredores do Posto: Cordelia, Madison e Myrtle (mais vivas que nunca)! E sim, sou obrigada a fazer um “mea culpa”, minha teoria estava errada e não teremos uma mudança na linha temporal como eu havia suposto. Porém, o grande número de mortes do último episódio, mostrou o que pode ser uma estratégia de Ryan Murphy para resolver a questão de um grande número de personagens interpretados pelo mesmo ator/atriz – e caso se consolide será uma pena, via mais potencial em Veneable, por exemplo.

Ao entrar no Posto, as bruxas resgatam algumas mulheres mortas – Mallory, Dinah e Coco – e as ressuscitam, chamando-as de irmãs, o que nos leva a acreditar que elas fazem parte do Coven. E assim terminou o episódio e foi dado o “start” para a elaboração das mais diversas teorias: existem bruxas morando dentro delas? Elas são bruxas? O espírito de Fiona estaria escondido dentro de Mallory? Ou seria Zoe?

Teorias e ansiedade à parte, só nos resta esperar o próximo episódio, que vai ao ar na quinta-feira às 16horas na FX.

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“Surprise, Bitch!”

Sorteio rolando no Instagram!

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Pessoal ta rolando sorteio no Instagram destes três livros na foto:

. Me chame pelo seu nome, André Aciman

. Aconteceu naquele verão, Stephanie Perkins (contos)

. Alucinadamente Feliz, Jenny Lawson

 

Essa foto não é a oficial (por isso a rasura, rs) mas vocês vão encontrar a FOTO OFICIAL e as REGRAS do sorteio na página do instagram. Vocês podem acessar aqui na lateral direita da página ou pelo link:

https://www.instagram.com/p/BoPlnX1BxKp/

Participem, e Boa Sorte! bjs

 

Resenha: Pequenos incêndios por toda parte, Celeste Ng – Ed. Intrínseca

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Eu já havia lido algo sobre o livro na página da @intrinseca, mas confesso que foi durante uma visita à livraria que o título me chamou atenção. Quando li a sinopse da obra escrita por Celeste Ng, achei algumas semelhanças com outras quw já li de uma autora que gosto muito: Liane Moriarty. E não estava errada.

Ambas as escritoras são maravilhosas porque tornam personagens/acontecimentos ordinários e banais em histórias com tramas surpreendentes.

Em Pequenos incêndios por toda parte não é diferente. O enredo nos prende do início ao fim (se não me engano, li o livro em três dias), e ao longo da leitura descobrimos que nenhum personagem é perfeito, essencialmente bom ou mal, são todos humanos. Os plots tratados são diversos, desde imigração, abandono paterno, traição, problemas psicológicos, superficialidade forçada além de promover uma excelente discussão em torno dos processos de adoção nos EUA.

Foi interessante ver como a autora incluiu pontos relevantes de sua cultura – seus pais são imigrantes chineses, já ela é americana – de forma muito sutil no enredo. E mais interessante ainda foi constatar que a citação de Anna Karenina “As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira” é atemporal.

Gostei tanto da leitura, que em seguida comprei outro título da autora, chamado “Tudo que nunca contei” e confesso que ele está na filinha de espera dos livros a serem lidos mas estou ansiosa.

Celeste Ng foi uma agradável descoberta! Recomendo!

Links para compra:

https://www.saraiva.com.br/pequenos-incendios-por-toda-parte-10133384.html?pac_id=123134&gclid=EAIaIQobChMImM_dvMzZ3QIVkoSRCh18ZQvjEAkYASABEgJak_D_BwE

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Animais Fantásticos: Os crimes de Grindewald – Trailer Final

Saiu gente!!!

Foi divulgado hoje o trailer final de Animais Fantásticos: Os crimes de Grindewald, o segundo filme do universo de Fantastic Beasts, com data confirmada para o dia 16 de novembro de 2018!!!

A produção passou por algumas turbulências, como por exemplo a continuação de Johnny Depp na produção – que dá vida à Grindewald – após as denúncias de violência doméstica feitas contra ele por sua ex-esposa, Amber Hard. Mas as filmagens foram finalizadas e polêmicas à parte, estou muito ansiosa para o filme e principalmente entender melhor a relação entre Grindewald e Dumbledore ( Jude Law), algo que sempre foi muito nubuloso, nos livros do universo de J.K. Rowling.

Ansioooooosa!!!!

Confiram abaixo o trailer:

Fonte: https://www.ingresso.com

Review: American Horror Story – Apocalypse – EP02: The Morning After

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Oi gente!!! Demorou um pouquinho mas aqui está a review do ep 2, exibido quinta passada, intitulado The Morning After. Como eu recebi um feedback de vocês que o primeiro review ficou muito longo, vou fazer este em tópicos, ressaltando os pontos que considerei mais importantes, ok? Me digam depois se ficou melhor!

– ALERTA SPOILERS –

  • Crossover: Se estávamos ansiosos pelo retorno das personagens antigas no episodio anterior, continuamos assim. Novamente só vimos Michael Langdom mas… se havia alguma dúvida a respeito dele ter poderes ou suas habilidades de manipulação, elas não existem mais. Algo que ficou claro com o plot das cobras e o desenrolar da trama entre Gallant e o Rubber Man.
  • Cobras: Na minha opinião, as cobras dão uma prévia da temática principal do episódio, que trata basicamente de desejo/tentação. Sim, Ryan Murphy está mais uma vez utilizando referências bíblicas na série.
  • Santuário e o Teste de Cooperação: Após Veneable ser questionada pelos moradores do Posto sobre quem estaria em sua sala, Michael se apresenta e informa à todos sobre a existência do Santuário e o Teste de Cooperação – um teste aplicado por ele e que irá ajudá-lo a decidir quem merece ou não seguir com ele para o novo local. Algo que achei curioso foi que os moradores do posto focaram muito na função que cada um teria para  um movimento de “repovoar o Mundo” sendo que em nenhum momento Michael fala que este é o objetivo principal dos testes e/ou do Santuário.
  • Gallant X Eve: Durante o teste de Gallant, entendemos melhor sua relação com a avó, Eve. Ambos possuem frustrações um com o outro, e o neto chega a verbalizar a raiva que sente da avó. Essa informação foi necessária para entendermos melhor a atitude de Eve ao flagrar a relação sexual entre o neto e Rubber Man, onde ela o delata para as superiores.
  • Veneable x Michael: Durante o teste de Veneable – na qual ela é reprovada – vemos a tensão existente entre ela e Michael, sua dificuldade em se submeter as ordens dele, e principalmente a forma como ele a humilha; Langdom exige que Veneable mostre sua deformidade na coluna e de certa forma a seduz para, em seguida, a desprezar. É neste momento que o telespectador entende o porque da forma de caminhar da personagem.
  • Gallant X Rubber Man: Durante seu teste Gallant é seduzido por Michael e logo em seguida, recebe a visita do Rubber Man, o que o leva a acreditar ser Michael. Os dois tem relações sexuais, o que é flagrado e delatado por Eve. Após o castigo de Gallant, Lagdom o informa de que não era ele em seu quarto, e ainda o humilha da pior maneira possível, usando inclusive seus pontos mais fracos, como a relação com a avó. Mais tarde, ele recebe uma nova visita do RM, e acreditando ser Michael o ataca com uma “faca” mas… vemos Michael na porta do quarto e no lugar do Rubber a avó de Michael, Eve, agora assassinada pelo neto.
  • Identidade do Rubber Man: muito foi especulado na internet nos últimos dias, mas na minha opinião fica claro que o Rubber é “algo” controlado por Michael, e não um personagem com a roupa, como na primeira temporada. Ele aparece nas cenas com Gallant e na cena onde os jovens descobrem que a proibição à respeito de relacionamentos sexuais dentro do Posto é algo criado por Veneable, e não solicitado pela Coorporativa. Com o desfecho de Eve, fica ainda mais evidente a conexão Michael-Rubber.
  • Emily X Timothy: Após a leitura do e-mail que supostamente libera relações sexuais dentro do Posto, os jovens correm para o quarto. Ainda na cama, são encontrados por Mead e levados para Veneable – que mesmo depois de ser confortada, decide pelo castigo dos dois. Durante o castigo, Timothy consegue se soltar e acerta um tiro em Mead.
  • O que é Miriam Mead (Kathy Bates)?: Após o tiro dado por Timothy, vemos (no que é a cena final) que Mead é algo proximó de artificial/ciborgue ou possui partes artificiais em seu corpo. Não fica claro se ela está sentindo dor após ser ferida ou se está surpresa pelo dado que lhe foi causado. Foi a grande revelação e gancho do episódio.
  • Personagem de Billy Lourd: Por que veio? Qual a função? Saiu de “Cult” e só trocou de figurino?!
  • Música de destaque: Time in a Bottle, de Jim Croce

Espero que tenham gostado e aguardo os comentários de vocês! E vamos esperar pelo episódio 3, intitulado “Forbidden Fruit”, ou O Fruto Proibido. Para os que me perguntaram, os episódios inéditos estão sendo exibidos pelo canal FX, todas às 5as feiras, às 16 hras.

Abaixo, o teaser do próximo episódio, e até lá!

Resenha: A casa das marés, Jojo Moyes

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Jojo Moyes é aquela leitura que não tem erro, se você está com medo de arriscar e com necessidade de ler uma obra de qualidade, ela é escolha certa; a história sempre é bem escrita e o enredo bem pensado e sem furos. Mas, sou suspeita para falar, afinal ela é umas das minhas cinco escritoras favoritas e nem é por causa de seu livro de maior sucesso, Como eu era antes de você.

Comprei A casa das marés (Editora Intrínseca) sem ler a sinopse, em alguma promoção junto com vários outros livros, tamanha era minha certeza de que eu gostaria da leitura. O que eu não sabia é que eu iria gostar TANTO, e que ele por pouco não roubaria de O Som do Amor o lugar de “livro preferido da Jojo Moyes” na minha vida!

Aliás, faz sentido que eu tenha me apaixonado por ambos os livros; os dois tem como âncora do enredo uma “casa”, de forma que a história pode estender-se por dias, meses e até décadas, mas a presença do local é uma constante. E é  onde os  acontecimentos principais do romance se realizam, e onde as personagens se apresentam e amadurecem. E as similaridades não param por aí: ambas as obras tem como pano de fundo a temática – o que fazer quando a vida não obedece “nossos planos” e não sai como o planejado. Nos dois casos, lemos histórias muito reais de amadurecimento e superação.

Em A casa das marés a linha temporal começa na década de 50, e dá um salto para 50 anos depois. Durante este período acompanhamos a evolução da Casa Arcádia – localizada na orla de uma pacata cidade do interior americano – e das amizades, amores e traições que envolverão seus personagens dentro e fora dela. Primeiramente, me chamou muita atenção o fato de apesar de termos alguns personagens com atitudes péssimas e caráter duvidoso, nenhum deles pode ser classificado como um vilão, um “ser do mal”, pura e simplesmente. A escritora depositou tanta carga emocional e humana para a história, que em vários momentos me vi questionando se “aquela atitude tenebrosa” não seria compreensível diante das circunstancias e do arco da personagem. Não se trata de um conto de fadas ou um romance de fantasia, é uma história muito real que poderia e pode ter acontecido na vida de muitas pessoas. Se eu pudesse resumir, diria que é um romance de desencontros e as reviravoltas da própria vida.

Outro fator que me chamou muita atenção é que ao longo de suas 376 páginas não houve um diálogo vazio, uma página de “embromação”, nada. Jojo Moyes utilizou-se de uma franqueza tão surpreendente ao contar a história de Lottie, Celia e da Casa Arcádia que todas as palavras ditas ali são relevantes e pertinentes, não há espaços para firulas literárias, o foco é a vida daquelas personagens, que nos está sendo contada.

Não quero falar muito mais, porque indico – aliás quero – que vocês leiam. Este livro mexeu bastante comigo e acredito que irá fazer o mesmo com quem se propor a lê-lo. E para as arquitetas (os), deixo uma passagem que na minha opinião resume lindamente a “dor e a delícia” da profissão. Boa leitura!

“Essa era sempre a parte mais difícil de um projeto. A visão que você tinha se esmerado para construir, para a qual havia perdido noites de sono, trabalhado com poeira no cabelo e as unhas cobertas de tinta finalmente ficava pronta, colorida com dores e estofada com exaustão. Então, quando tudo estava perfeito, você abandonava o lugar.”

Sinopse: A casa das Marés, Jojo Moyes – Ed. Intrínseca:

Uma história que atravessa décadas e gerações para mostrar que nunca é tarde demais para nos descobrir e correr atrás dos nossos sonhos.

Na década de 1950, Merham não passava de uma cidadezinha litorânea como tantas outras: pacata, tradicional e obcecada pelas aparências. Os homens cuidavam do comércio, as mulheres cuidavam dos filhos e todos tomavam conta da vida dos outros. Até que um boêmio grupo de artistas estrangeiros se muda para a Casa Arcádia, uma bela construção art déco à beira-mar. Ao contrário dos demais habitantes, que logo veem os artistas com maus olhos, temerosos de que possam destruir a boa reputação da cidade, Lottie Swift e Celia Holden não conseguem esconder o interesse pelos novos residentes.

Cinquenta anos mais tarde, quando o passado já parece enterrado e esquecido, a Casa Arcádia é vendida para um empresário que pretende transformá-la em um refúgio de luxo planejado pela arquiteta Daisy Parsons, que chega a Merham para reconstruir não só a casa, mas sua própria vida. Porém, assim como antes, o prenúncio de mudança revolta os moradores, dispostos a tudo para inviabilizar o projeto.

Repleto de encontros emocionantes e segredos revelados, A casa das marés é uma leitura deliciosa e romântica que explora as dinâmicas familiares, antigos amores e traições.

Links para compra: AMBOS NA PROMOÇÃO!!!

https://www.saraiva.com.br/a-casa-das-mares-9855305.html?pac_id=123134&gclid=EAIaIQobChMIkqjBrvzM3QIVjQ6RCh0EHgcKEAQYASABEgJA-_D_BwE

https://www.amazon.com.br/Casa-das-Mar%C3%A9s-Jojo-Moyes/dp/8551002406?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN&ascsubtag=d76e8049-8cf4-4147-95b1-d861472683af

 

 

 

The Affair e a polêmica 4a temporada:

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Unicamente para atender a um (mau) hábito que adquiri na “Era Pós-Netflix”, onde passei a assistir a temporada de uma série inteira em sequência, aguardei o fim da 4a temporada de The Affair para começar a vê-la. Péssima, péssima ideia.

– ALERTA SPOILERS –

Por mais que eu tente normalmente fugir de spoilers de séries, nunca achei que um dos mais surpreendente deles aconteceria com The Affair. Bastou o episódio 9 ir ao ar para toda a especulação em torno da saída da atriz Ruth Wilson, que interpreta Alison, ganhar forma e vir à tona violentamente. Inusitadamente, fiquei sabendo do destino da personagem por um amigo. A partir daí fui me informar melhor sobre o ocorrido e sim, comecei a assistir aos episódios imediatamente.

Mesmo com toda a polêmica divulgada na mídia envolvendo a saída da atriz – desigualdade salarial com o ator Dominic West, divergências com a produção, grande número de cenas – ao terminar de assistir o episódio 9, onde em uma cena bizarra e maravilhosa Noah e Cole são avisados da morte de Alison (aliás foi o momento em todo o seriado que mais demostrou a diferença de personalidade entre eles), e depois de acompanhar todo os arco dos personagens durante a temporada, achei a morte de Alison muito pertinente e verossímil dentro do roteiro. De uma forma bastante triste, é verdade, mas entendam: estávamos diante de uma personagem que já tinha sofrido vários abusos, foi sexualizada por todos a vida inteira, perdeu um filho em um acidente trágico e culpava-se por isto, tinha uma mãe irresponsável e desorganizada emocionalmente, descobriu ser filha de um estupro de um pai que reaparece quase 40 anos depois querendo um órgão seu (que novela mexicana esse plot do pai né?!), além de um quadro de depressão crônica; portanto um suicídio pertencia ao histórico da personagem. Fechava – tristemente – um ciclo de uma vida dura e extremamente infeliz.

Antes que eu leve uma bronca por dizer algo irresponsável: suicídio não é resposta para nada, não é solução e se você está passando por algo, por menor que seja, procure ajuda! Depressão é algo sério que precisa ser tratado, ok?! Estamos no “setembro amarelo” e quanto mais nos ajudarmos, menos sofreremos com esta dor que só quem passou ou passa, sabe o quao difícil é. Caso queira conversar com alguém procure o CVV (Centro de Valorização da Vida): https://www.cvv.org.br/ da sua cidade.

Voltando ao review….

Mas aí veio o season finale… e revolta é pouco perto do que eu senti.

Primeiro, vimos a mudança drástica que tivemos na estrutura da série, onde ambas as perspectivas que assistimos  no ep10 eram de Alison, porém uma tratava-se da realidade e a outra uma distorção dela, ou até mesmo uma fantasia. Minha interpretação é que a “verdade” está em algum ponto entre as duas narrativas. Segundo: entregaram a um personagem que não tinha nenhuma importância, carga ou envolvimento com o enredo, a responsabilidade de ser o assassino de uma das personagens principais. E mesmo com todo o descontrole dito – mas não mostrado – pertencente à Ben, a cena do assassinato de Alison foi algo “non-sense”, dentro de uma série que sempre abordou assuntos e relacionamentos cotidianos de forma crua e pragmática.

Terminei a temporada, e me dei conta que parecia que eu havia voltado dez anos na minha vida e estava assistindo mais uma vez à morte de Marissa em The O.C. E Alison – assim como Marissa – é uma personagem que possui tanto peso para a trama, que é impossível seguir com a série por mais uma temporada sem que a mesma tenha a sua presença, ou seja: é necessário lançar mão do recurso “quem matou x justiça x vingança” para que o roteiro se mantenha. Assim, Alison não está mais presente, mas o que já vimos e provavelmente iremos ver na 5a e última temporada é a forma como sua ausência afetará os demais personagens da trama, como eles reagirão à sua morte. O que é lamentável para uma produção como The Affair.

Mas vou mudar o foco negativo para o principal ponto positivo desta temporada: a atuação de Joshua Jackson e o excelente desenvolvimento de seu personagem, Cole. Minha adolescente interna tem uma queda pelo ator desde o Pacey de Dawson’s Creek, e até mesmo eu fiquei surpresa com a brilhante atuação feita por ele. A carga dramática do personagem não foi pequena, e no decorrer dos episódios vimos o personagem de Cole amadurecer simultaneamente com o desempenho do ator. Na minha opinião, ele merece um prêmio ou ao menos uma indicação por esta temporada.

Concluindo, é claro que irei assistir à ultima temporada de The Affair, mas admito que as minhas expectativas estão as mais baixas possíveis. Como fã, torço por justiça para Alison e um final feliz para Cole. Já do outro casal de protagonistas – Helen e Noah – eu não consigo nem pensar em algo, minha sensação é que seus plots ficaram apagados diante da morte de Alison e do desenvolvimento de Cole, mesmo com a sempre maravilhosa atuação de Maura Tierney. À aguardar, e torcer por um maior empenho dos roteiristas e redatores, para que a série tenha um encerramento digno de sua qualidade.