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Resenha: Nimona, Noelle Stevenson

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Com história e ilustrações de autoria da americana Noelle Stevenson (premiada pelo Eisner Award e finalista do National Book Award), Nimona possui uma sinopse aparentemente simples e “comum” ao mundo dos quadrinhos: “Nimona é uma metamorfa sem limites nem papas na língua, cujo maior sonho é ser comparsa de Lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão que já existiu”. Porém ao iniciarmos a leitura, percebemos que Nimona foi criado para quebrar padrões.

De forma brilhante, a autora consegue contar a história de sua anti-heroína com extrema sutileza e tratando diversos assuntos, como: feminismo, fantasia, homossexualidade, exclusão, amizade, valores, relações familiares, perdão, política, dentre outros. Os desenhos possuem mais que um papel meramente ilustrativo do enredo, tornando-se parte crucial dele em muitos momentos (destaque para a mudança do cabelo da personagem principal à medida que sua personalidade vai se transformando), o que enriquece muito o desenvolvimento da obra.

Os diálogos entre Nimona e Ballister são complexos, e ao mesmo tempo em que constroem o relacionamento entre os personagens, contam muito a respeito de ambos. Sempre em conflito, Ballister mostra até o final do livro que seus valores são sólidos, priorizando sempre o coletivo e o “correto a se fazer”; o personagem inicia o livro como vilão e termina como o herói que sempre foi. Sem muitos spoilers, sua relação com Sir Ouropelvis, apesar de subentendida, foi algo inesperado e que deu um toque especial à obra.

Já Nimona, ao mesmo tempo em que conta muito sobre si e mostra sua personalidade impulsiva e intempestiva, deixa muitas lacunas em aberto. Não consigo afirmar se haverá uma continuação, mas o fato é que foi criado todo um universo propício a isto. Os personagens foram explorados, mas não esgotados sua totalidade, principalmente ao que diz respeito ao passado de Nimona e os abusos sofridos por ela (que acabaram moldando sua personalidade), e também ao real papel e iniciativa da Instituição.

Com relação ao final, se eu afirmar que o mesmo me agradou, estarei mentindo. Fiquei com aquela sensação enorme de “preciso saber mais”. Faltou um melhor direcionamento no futuro dos personagens, principalmente de Nimona, que diante de tantas injustiças merecia algo mais concreto e positivo em seu desfecho. O final é pertinente, não atrapalha a história ou o resultado como um todo, mas não acompanha o nível com o qual a mesma foi construída.

Pessoalmente, torço e espero por uma continuação, e indico enfaticamente a leitura; mesmo e principalmente para leitores que como eu, não sejam muito atraídos pelo mundo dos HQ’s.

Resenha: Teia dos Sonhos, Karine Aragão.

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Quando comecei a leitura de Teia dos Sonhos, meu primeiro pensamento foi: “nossa que narrativa imatura!”. Então corri para conferir novamente os dados da escritora – a idade dela, na verdade. E foi aí que me dei conta da perspicácia de Karine Aragão: o livro é narrado por Júlia, uma adolescente de 16 anos. Logo, nada mais justo que sua fala seja confusa, imatura, romântica e até mesmo incoerente em alguns momentos, pois se trata de uma adolescente, de forma que todas estas características são pertinentes. Sendo assim, fica clara a intenção da escritora, que não é mais uma adolescente (rs!).

A história se desenrola a partir do suicídio de Laura, melhor amiga da protagonista, e seus desdobramentos. Atendendo a um pedido da mãe de Laura, Júlia vai em busca das razões que levaram sua amiga a uma atitude tão finita e desesperada. Durante este processo de busca e amadurecimento, a protagonista enfrentará suas próprias questões, se envolverá emocionalmente com Bernardo e descobrirá que diferente do que achava, não sabia tudo a respeito de Laura.

Sem falar muito mais sobre a história para não dar spoilers, gostaria de citar alguns pontos positivos e negativos do enredo. No que diz respeito aos pontos altos, o livro possui vários, mas o que mais chama atenção é todo o processo de amadurecimento de Julia, desde a “não-relação” com o pai, a reaproximação da mãe e a forma com a qual a personagem liga com o bullying (assunto tratado de forma muito delicada). Durante a leitura é possível perceber que a escritora colocou muito de si própria e de suas experiências na história, dando veracidade à mesma e enriquecendo-a.

Com relação aos pontos negativos, como leitora, fiquei carente de uma explicação melhor e mais profunda sobre os motivos e problemas que levaram Laura ao suicídio. Entendo que a ênfase do enredo era na história de Julia e em suas percepções, mas tratando-se de uma leitura que dialoga diretamente com o público jovem, seria muito positivo abordar mais a fundo o tema, já que o número de suicídios envolvendo adolescentes cresce a cada dia. A não abordagem não interfere na história, mas teria sido interessante entender um pouco melhor os “demônios” enfrentados pela personagem.

Posso dizer que Teia dos Sonhos é um livro que deve ser lido por pessoas de todas as idades, pois mostra um ponto de vista frequentemente ignorado – muitas vezes as emoções dos adolescentes são tratadas com descaso – e também pela sutileza com a qual Karine Aragão desenha a trama. Recomendo!

Nota da Leitora Dinâmica: Se você ainda não leu o livro pare por aqui, porque lá vem spoiler! Muitas vezes uma amizade pode nos aprisionar e nos impedir de crescer; ao longo do livro vemos como o jeito imaturo e impulsivo de Laura interferia na personalidade de Julia, e como a personagem se “descobriu” positivamente após a ausência da amiga. E não, não me conformei até agora com a atitude de Laura diante do interesse de Bernardo por Julia – uma tremenda falha de caráter.

Resenha: Alucinadamente Feliz, Jenny Lawson

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Quando comprei o livro Alucinadamente Feliz em uma livraria, confesso que o fiz atraída pela capa e título. Já sabia que se tratava de um livro de não ficção, e este ponto pesou bastante ao decidir iniciar a leitura, pois só tenho lido ficção ultimamente.

Esperava algo bem diferente do que li; não posso dizer que não gostei do livro – muito pelo contrário, várias passagens me arrancaram gargalhadas. Mas, achei que iria ler algo com início/meio/fim e que tivesse como gancho a morte do amigo da escritora, citada na sinopse, e encontrei algo bem diferente.

O livro reúne um apanhado de histórias e postagens da autora, a maioria sobre sua forma de lidar com seus transtornos mentais (ansiedade, depressão, toc, etc) e também sobre sua vida pessoal e experiências de um modo geral. As postagens não se relacionam entre si, e os problemas psicológicos citados anteriormente são o único pano de fundo em comum entre elas.

A escrita de Jenny Lawson é rápida e divertida, e de fato você tem a sensação de que ela está conversando diretamente com você e lhe contando “casos” de sua vida no decorrer da leitura. Ela aborda temas importantes como o preconceito com as pessoas que tem distúrbios psicológicos e os desafios enfrentados por elas com muito bom humor, e de uma forma nada convencional, fazendo jus ao subtítulo da capa que diz ser “um livro engraçado sobre coisas horríveis”.

No que diz respeito a minha opinião como leitora, preciso fazer algumas ressalvas: o livro é engraçado, bem escrito, aborda temas importantes, mas torna-se cansativo em determinado ponto. Durante a leitura, encontrei algumas histórias tão absurdas que me peguei questionando a veracidade delas, ou se a autora estava exagerando em alguns pontos para deixá-las mais divertidas. Também achei o livro longo para o que se propõe, e esta sensação se deve à falta de uma estrutura linear na obra, pois como não há um gancho que conecte um capítulo ao outro, não desperta no leitor aquela curiosidade em terminar a leitura (o que de fato aconteceu, demorei mais de uma semana para finalizar a mesma).

Não entendam mal, o livro é bom, deve ser lido, mas se você está querendo algo com uma certa cronologia deve procurar outro título. Este é um livro para ser lido aos poucos, sem muito “compromisso” e tempo, talvez simultaneamente com outra leitura; desta maneira será algo bastante divertido e em muitos momentos questionador.

Sobre o livro: As Cores da Vida, Kristin Hannah

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Aquele momento em que vc começa a superar o bloqueio literário causado pelo último livro. Iniciando minha próxima leitura: As Cores da Vida, da escritora Kristin Hannah, e distribuído pela editora Arqueiro. Já leram? Eu confesso que me apaixonei primeiro pela capa e depois pela sinopse, que mostro pra vcs mais abaixo!

“Uma arrebatadora história sobre irmãs, rivalidade, perdão e, em última análise, o que significa ser uma família.

As irmãs Winona, Aurora e Vivi Ann perderam a mãe cedo e foram criadas por um pai frio e distante. Por isso, o amor que elas conhecem vem do laço que criaram entre si. Embora tenham personalidades bastante diferentes, na verdade são inseparáveis.

Winona, a mais velha e porto seguro das irmãs, nunca se sentiu em casa no rancho da família e sabe que não tem as qualidades que o pai valoriza.

Mas, sendo a melhor advogada da cidade, ela está determinada a lhe provar seu valor.” Aurora, a irmã do meio, é a pacificadora. Ela acalma as tensões familiares e se desdobra pela felicidade de todos – ainda que esconda os próprios problemas.

E Vivi Ann é a estrela entre as três. Linda e sonhadora, tem o coração grande e indomável e é adorada por todos. Parece que em sua vida tudo dá certo. Até que um forasteiro chega à cidade… Então tudo muda. De uma hora para a outra, a lealdade que as irmãs sempre deram por certa é posta à prova. E quando segredos dolorosos são revelados e um crime abala a cidade, elas se veem em lados opostos da mesma verdade.”

Nota da Leitora Dinâmica:

As Cores da Vida foi o primeiro livro que li da escritora americana Kristin Hannah; mas tenho certeza que foi o primeiro de muitos. Como eu já havia contado à vocês, comprei o livro pela capa e simplesmente terminei a leitura apaixonada pela história e pela maneira com a qual ela foi contada.
Sem rodeios, detalhismos excessivos ou floreios literários, e com um ritmo bastante acelerado, a autora conta a história das irmãs Grey, e sua família. Sem um personagem principal ou narrador definido, somos capazes de acompanhar diferentes pontos de vista de uma mesma situação ao longo da história, que atravessa mais de uma década.

Com diálogos extremamente humanos e que enaltecem os sentimentos dos personagens, o livro foi um ótimo reinício pós bloqueio para mim, mostrando que muitas vezes a simplicidade é a melhor e mais honesta forma de se contar uma boa e emocionante história. E após finalizar a leitura, percebi que a capa não é somente linda, mas tem sua razão de ser, e de forma sutil mostra a base de toda a narrativa.

Recomendo! E muito!

Obs: Post publicado no instagram @leitoradinamica em dez/2016

Sobre o Livro: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

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Porque quando o livro é bom a gente lê em praticamente uma noite!

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada conseguiu saciar minha carência da saga, e acredito que de muitos fãs também! No começo achei estranho observar a escrita de J. K. Rowling em formato de peça, mas logo incorporamos o conceito.

O livro é bom, possui um ritmo excelente e com surpresas positivas e negativas e ao longo da trama. Positivamente gostei muito da forma com a qual os novos personagens interagiram e suas personalidades; negativamente o personagem do Harry em particular me decepcionou em vários momentos, e outro ponto que incomodou foram as inúmeras referências e retornos às histórias antigas – me pareceu que a escritora ainda está muito presa ao passado, ao que ela já escreveu.

Mas não é nada que tire o brilho do livro, e sinceramente, já torço para que ele também vire filme!

Obs: Post publicado no instagram @leitoradinamica em dez/2016

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, Ransom Riggs

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Esta é uma resenha crítica.

De acordo com a sinopse do livro, encontrada no site da editora Leya, O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares trata-se de “Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época,… vai deliciar jovens, adultos e qualquer um que goste de uma aventura sombria”; porém, caso você tenha acompanhado o Leitora Dinâmica nas últimas semanas, percebeu a dificuldade que eu tive em finalizar esta leitura e minha teimosia em não abandoná-la. Mais uma vez, peço desculpas aos fãs da série, mas preciso expor minha sincera opinião.

O enredo conta com elementos interessantes, como: drama familiar, reverberações da 2ª Guerra Mundial, viagens no tempo, elementos de fantasia, romance juvenil, suspense, perseguições e fotos reais e curiosas. Com tudo isto, a expectativa ao iniciar a leitura é encontrar um enredo movimentado e instigante certo? Mas, infelizmente, isto não acontece.

O livro pode ser dividido “bruscamente” em duas partes: antes e depois do personagem principal, Jacob, chegar à Ilha. A primeira parte é composta por um ritmo tão lento, com detalhes insignificantes tão minuciosamente descritos, que a sensação é estar lendo em “looping”. Ao mesmo tempo, ganchos importantes na história, como os relacionamentos do protagonista com seus familiares e amigos, e até a personalidade do garoto, são descritos de forma superficial – com exceção da relação com o avô.

Durante a “primeira parte da história” eu pensei em desistir do livro diversas vezes; o enredo não despertou minha curiosidade e não criei empatia por nenhum personagem. Mas, muitos me disseram para insistir, que após a chegada de Jacob à Ilha, o ritmo seria outro. De fato o ritmo melhora, mas fica longe de prender a atenção; a escrita extremamente minuciosa do autor, confusa em muitos momentos devido à quantidade de detalhes, permanece.  E o elemento-surpresa em torno do psiquiatra de Jacob, mostra-se muito previsível cedo demais.

Alguns pontos críticos da história ficaram mal ou não explicados satisfatoriamente. O elemento-surpresa em torno do psiquiatra de Jacob mostra-se muito previsível cedo demais. A personagem da Srta. Peregrine, cujo nome está no título da obra, é pouco aprofundada, com suas aparições resumidas sempre a diálogos com Jacob, ou interações com outro grande número de personagens – não permitindo ao leitor construir uma imagem concreta da mesma (por mais que o autor dedicasse linhas e mais linhas à sua descrição física).

Terminei a leitura por teimosia e sem vontade alguma de ler os volumes seguintes – apesar do inteligente gancho ao fim da história. A obra tem seus pontos altos, claro, como as “peculiares” fotos de época (reais, por sinal) que amarram e ilustram todo o enredo. Uma estratégia muito criativa por parte do autor.

Por outro lado, acredito que o fator que mais tenha contribuído para minha insatisfação, tenha sido a dedicação de Riggs ao descrever muito detalhadamente caraterísticas físicas dos seus personagens e lugares nos quais a história se desenvolve, e pouca atenção à personalidade dos mesmos – o que não me permitiu criar vínculo nem com eles, nem com a história. Em muitos momentos minha sensação era de estar lendo uma história escrita para ser adaptado para os cinemas (o que aconteceu, aliás) algo que me incomodou bastante.

Gostaria de deixar claro que gosto do gênero, mas me agrada muito quanto consigo ter um envolvimento emocional com os personagens. Traçando um paralelo com Harry Potter, apesar da enorme – e necessária – descrição do lugar, casas e personagens da história, J. K. Rowling provoca diversas emoções no leitor. Torcemos por Harry, sentimos raiva seguida de compaixão por Snape e sofremos com o fim de Dumbledore. E isto se deve ao fato da autora não caracterizar os personagens apenas fisicamente, mas emocionalmente também, em toda sua glória e defeitos. Pessoalmente, O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, deixou a desejar neste nível de complexidade e empatia, o que foi uma pena, pois se trata de uma história com muito potencial.

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Resenha: A Escolha, Kiera Cass

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O volume final da trilogia A Seleção, escrita por Kiera Cass, tem seu início marcado por inúmeras tramas em aberto, e principalmente, pela difícil “reconstrução” do relacionamento de America e Maxon. O príncipe não consegue voltar a confiar na protagonista (chegando a destrata-la em alguns momentos), que se torna cada vez mais desesperada para reconquistá-lo.

A trama que envolve a Guerra entre rebeldes e realeza ganha maior destaque, com o nascimento de uma aliança entre Maxon e os Rebeldes do Norte, contra os violentos Rebeldes do Sul. Algumas informações ficam mais claras para o leitor, como o fato de os rebeldes possuírem um informante dentro do castelo. Mais confiante, America atuará diretamente neste cenário, promovendo encontros e utilizando-se de seus contatos para ajudar a causa.

A perseguição do Rei com America intensifica-se, já que no final do volume anterior o mesmo deixa claro que fará o que for possível para dificultar a estadia da jovem na competição, impedindo-a de ser a escolhida. A menina será testada inúmeras vezes, e das formas mais severas possíveis.

Diferente dos outros dois volumes, este livro tem um ritmo bastante desequilibrado, que acaba sendo desagradável. Alguns acontecimentos “chave” da história são narrados com extrema rapidez, tornando-se confusos; já outros capítulos são dedicados inteiramente às exaustivas divagações de America.

Outro ponto que o livro ensaia um desenvolvimento, mas não se aprofunda, é a relação da protagonista com a Rainha. Os diálogos entre as duas personagens precisava de mais conteúdo, mostrando melhor a personalidade da Rainha, o que não acontece.

Aliás, o último volume da série, como já foi dito, começa com inúmeras tramas interessantes a serem desenvolvidas, e termina lotado de pontas soltas e passagens sem sentido no contexto geral da história. Caso a leitura da série seja feita em sequência, não fica muito difícil reconhecer os “buracos” no enredo. Vários são os momentos em que o leitor percebe a superficialidade com a qual alguns acontecimentos são tratados, e fica uma sensação de que havia mais a ser contado.

Os desfechos dos personagens são fracos; em determinado ponto parece que a escritora mata alguns personagens e/ou une outros pelo simples fato de não saber o que fazer com eles. Mesmo entre os protagonistas, o “vai-e-vem” emocional fica cansativo, e o “gran finale” prometido ao longo de toda a saga, pobre. Ficaram faltando passagens, diálogos, conflitos que não aconteceram – o que explica a existência dos livros spin-offs. Claramente havia a necessidade de explicar melhor algumas tramas e relações.

Concluindo, de toda a trilogia, infelizmente o último volume é de longe o mais fraco e decepcionante. Começou com altas expectativas, com material para um desfecho épico, que não acontece. A leitura é válida como um todo, a história é instigante, os personagens interessantes e o enredo empolga, mas em A Escolha a escritora infelizmente não consegue manter a mesma qualidade dos livros anteriores.

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Nota da Leitora Dinâmica: É frustrante quando o leitor apega-se a uma história, e ganha um desfecho como o último volume da trilogia A Seleção. Ficou uma sensação de que a escritora terminou a história porque precisava fazê-lo, sem pensar muito no contexto geral, deixando o texto ora entediante, ora confuso, devido à quantidade de eventos simultâneos. Esperava muito de alguns personagens e principalmente de algumas relações a serem exploradas, como por exemplo, um vínculo “mãe e filha” entre America e a Rainha, algo ensaiado várias vezes e que não é aprofundado. O livro promete, mas não cumpre – o que é uma pena.

 

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Resenha: Nada, Janne Teller

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Agoniante, perturbador e …maravilhoso. Nada, escrito pela dinamarquesa Janne Teller levanta uma série de questionamentos pessoais, sociais e expõe a essência do ser humano em sua pior forma. É um daqueles casos em que a sinopse não faz jus à história do livro que descreve – o que acredito ser proposital.

Aparentemente “leve”, o romance – que se passa em uma cidade do interior da Dinamarca – inicia-se com um acontecimento peculiar no primeiro dia de aula da classe do sétimo ano. Um aluno chamado Pierre Anthon, sai de sala alegando que “nada importa logo não vale a pena fazer nada”; diante desta afirmação, passa a habitar a árvore em frente sua casa, questionando e provocando seus colegas quando os mesmos passam por ali.

A atitude de Pierre Anthon desperta uma série de dúvidas nos demais alunos, levando-os a questionar o real significado de tudo. Uma espécie de incômodo toma conta de toda a classe, e a solução encontrada por eles para resolver o “problema” é tirar Pierre Anthon de sua árvore. Para isso, eles decidem atirar pedras no colega, utilizando-se de violência para fazê-lo sair do local. Neste momento da história, a escritora expõe a maneira que o “diferente” é capaz de incomodar um grupo, que mesmo sendo de alunos de 13/14 anos, sente a necessidade de extingui-lo para retomar a sua ordem.

Com o fracasso da tentativa de “jogar pedras” e a permanência de Pierre Anthon na árvore, as crianças decidem seguir outro caminho: provar que os questionamentos expostos pelo colega estão errados.  A nova estratégia deles consiste em montar uma pilha com itens que contenham significado, algo que não possa ser contestado por Pierre Anthon, e convença o mesmo de que ele está enganado. Existe a necessidade de tornar o “significado” algo palpável, tanto para o colega questionador, quanto para os próprios alunos que desejam provar que ele está errado.

À medida que a pilha de significados começa a se formar, ceder os objetos passa a ser cada vez mais doloroso para os alunos. Movida por este sentimento, Agnes (narradora da história, canal por onde o leitor conhece a percepção das crianças diante dos acontecimentos), decide “vingar-se” de outra aluna, solicitando seu animal de estimação para a pilha. Este é o ponto inicial em que o limite do aceitável (ou até mesmo do ético) é ultrapassado entre os envolvidos, que ficam ludibriados com o ser-vivo e a representação da vida na pilha, e o significado que isto acrescentou a ela.

A partir deste momento os “significados” solicitados são cada vez mais pesarosos e cruéis, já que os solicitantes passam a agir influenciados pela raiva do que abriram mão. A noção de certo e errado é completamente perdida por eles, que “justificam” seus erros como pertinentes à construção da pilha – algo muito próximo de “os fins justificam os meios”. E é aí que a história torna-se assustadora.

Se antes o livro parecia um romance infanto-juvenil bem elaborado, protagonizado por crianças, agora passa a ser um enredo de horror. Com passagens revoltantes envolvendo um estupro “consentido” pela vítima e pelas demais meninas da classe, o assassinato de um animal inocente, amputações e a banalização de objetos religiosos, o leitor por diversas vezes duvida que esteja lendo um romance protagonizado por crianças – tamanha a crueldade de seus atos.

A elaboração da pilha causa danos em todos, e traz à tona o pior de cada um. Quando sua existência vem a conhecimento da comunidade, as opiniões a respeito do que a mesma representa são as mais contraditórias: uns amam, outros condenam. Porém, a pessoa chave que deu início ao processo, Pierre Anthon, não se comove com o feito e mantém suas verdades imutáveis. Não satisfeito, questiona os colegas novamente, sobre sua postura o perante o sucesso que a obra os trouxe, deixando a maioria novamente em dúvida sobre a existência de um “significado”.

Em um final terrível, provável, e mesmo assim inesperado, o leitor acompanha a crise de consciência que se inicia entre as crianças; mesmo reconhecendo os terríveis atos que cometeram, não são capazes de assumir a culpa pelos mesmos, direcionando-a ao questionamento levantado por Pierre Anthon e a ele próprio.

Concluindo, Nada expõe o lado mais animalesco e cruel do ser humano, algo intrínseco na essência de cada um, já que a maioria das ações cometidas pelos personagens partiu de cada um, não foi “ensinada” por ninguém. Na última fala de sua narradora, o livro entrega sua conclusão de uma forma muito sutil: não são objetos que possuem significado e sim o que eles representam e/ou os atos que rememoram. Compreende-se que o “significado” tão buscado ao longo da história, é na verdade a representatividade de tudo: de atos, sentimentos e escolhas – positivas ou não.

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Nota da LD: Eu diria que é uma heresia sem fim categorizar Nada como leitura Young Adult; este livro é capaz chocar o mais experiente dos leitores. Passei dias pensando em como redigir esta resenha, e cheguei à conclusão que nada que eu escrevesse seria completo, e estaria à altura da infinidade de temas e questões abordadas por Janne Teller. Este é o tipo de livro que deve ser discutido à exaustão, destrinchado e questionado – e mais importante ainda: lido. Particularmente, histórias envolvendo crianças e crueldades me chocam (por exemplo, de A menina que não sabia ler), mas neste caso a história conseguiu conter tudo que há de pior e mais revoltante no ser humano, na minha humilde opinião. Somos capazes de acompanhar atos movidos por inveja, cobiça, vingança, luxúria, abuso de poder, preconceito, avareza – todos cometidos por crianças de 13/14 anos! Para mim foi uma leitura excelente (a qualidade da escrita e a inteligência da escritora são inegáveis), porém chocante, o que torna compreensível a polêmica em torno da obra, chegando a ser proibida. Recomendo sim o livro, mas com todas as advertências possíveis para quem se aventurar, pois é um romance de “dar nó” na cabeça de muita gente – e uma vez lido, impossível de esquecer.

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Resenha: Férias, Marian Keyes

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“Ninguém pode nos fazer sentir coisa alguma… Nossos sentimentos são responsabilidade nossa.”

Férias, de autoria da escritora irlandesa Marian Keyes, pode até ter seus momentos “tragicômicos”, mas em nenhum momento se aproxima do título que carrega. Trata-se de um livro denso, difícil, e que aborda um dos maiores males da nossa sociedade: vícios.

A história começa quando Rachel, a irmã do meio da família Walsh (já conhecida no livro Melancia), sofre uma overdose de remédios e drogas em Nova York, onde mora com a melhor amiga Bridget. Diante da exposição da gravidade de seu vício, Rachel é obrigada pela sua família a retornar à Irlanda para tratar-se no centro de reabilitação chamado Claustro.

Apesar das evidências da gravidade do mal que sofreu, Rachel recusa-se a reconhecer que tem um problema e insiste que tudo não passou de um terrível engano. Para ela, seu uso constante de drogas de diferentes tipos não passa de algo recreativo, por mais que suas relações interpessoais e profissionais demonstrem exatamente o contrário; algo que inclusive prejudica e finda seu relacionamento com o namorado, Luke.

Mantendo-se em um estado de constante negação, Rachel não cria objeções à sua internação no Claustro, pois acredita estar indo para um spa cheio de celebridades e luxos. Mesmo já dentro do estabelecimento, projeta a fantasia onde encontrará pessoas famosas em outro setor diferente do seu, que acredita estar passando por obras devido às simplórias condições.

Como não se considera uma dependente química, Rachel sente-se superior aos outros internos, que possuem os mais diversos vícios (álcool, jogos, comida). Porém, aos poucos, a personagem vai se afeiçoando às pessoas e criando uma espécie de vínculo com elas – mesmo que ainda não reconheça sua condição de toxicômana.

Em uma estratégia inteligentíssima da escritora, acompanhamos em paralelo com sua estadia no Claustro, flashbacks do passado de Rachel. Neles, conhecemos sua personalidade (e extrema falta de autoestima), seus relacionamentos amorosos (incluindo Luke), a complexa amizade com Bridget e o agravamento de seus vícios – e suas respectivas consequências.

Durante as sessões de terapia em grupo no Claustro, Rachel passa a reconhecer a raiz das suas inseguranças agravadas por questões familiares, e a forma como usava drogas para não lidar com elas. A aceitação de sua condição de dependente química, e o reconhecimento de seu comportamento negativo, ocorre somente quando é duramente confrontada por Luke e Bridget. E é a partir deste momento que a personagem realmente dedica-se ao seu processo de reabilitação, amadurecendo e ganhando novas perspectivas e valores.

Mesmo disposta e focada em mudar, ao sair do Claustro, uma sequência de acontecimentos levam Rachel a ter uma recaída. Este episódio será essencial para que a personagem conclua alguns assuntos em aberto, e sinta repulsa por sua antiga rotina e seu vício, ganhando “novo fôlego” para permanecer sóbria.

Parte do processo de “cura” da personagem consiste em perdoar, se perdoar e pedir perdão para as pessoas que magoou. Nesta busca, Rachel retorna a Nova York em busca do perdão do Luke.  O final, de certa forma piegas, oferece conforto diante de toda a dura realidade exposta no livro; e também dá “ares de esperança” para a protagonista e os leitores que, por algum motivo, identificam-se com ela.

Concluindo, Marian Keyes trata a questão das drogas de forma honesta, sem floreios, abordando a fundo causas e consequências do problema. É importante ressaltar a constante preocupação da autora em “quebrar” estereótipos, mostrando que o vício é uma doença que pode afetar todo o tipo de pessoa, independente de idade, gênero, raça ou condição social. Férias é aquele livro que simultaneamente entretém, informa e faz pensar.

 

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Resenha: Uma curva no tempo, Dani Atkins

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Narrado pela protagonista chamada Rachel, o livro escrito por Dani Atkins começa com uma pequena introdução a respeito de suas “duas vidas” que, para o leitor, inicialmente não faz muito sentido. Porém é nesta mesma página que o tempo “presente” da história retorna cinco anos antes, para o acontecimento chave da história: o acidente no jantar de despedida.

Na primeira versão do trágico acidente, Rachel e seus amigos recém-formados no ensino médio, encontravam-se pela última vez antes que todos deixassem a cidade de Great Bishopford. O grupo era formado por sete pessoas, dentre elas Rachel, seu namorado Matt, Jimmy (seu amigo de infância), Sarah (melhor amiga da protagonista) e a exuberante e nada confiável Cathy.

Os fatos narrados nos momentos que antecedem o acidente serão de grande importância para o entendimento da história. Durante o jantar, podemos perceber a amizade entre Rachel e Sarah (e as dúvidas delas com relação ao caráter de Cathy), os sentimentos de Jimmy por Rachel e a consequente animosidade entre ele e Matt; a insegurança de Rachel em seu relacionamento também fica evidente.

E no desenrolar do evento, um carro desgovernado invade o restaurante, no exato local onde o grupo de amigos estava sentado. Todos conseguem sair a tempo, com exceção de Rachel que fica presa durante a confusão. Matt faz menção de ajuda-la, mas é contido por Cathy, enquanto Jimmy retorna salvando a vida da amiga, entretanto ele não consegue escapar, e acaba morrendo ao fazê-lo.

A história avança cinco anos para o seu presente; nele Rachel encontra-se completamente atingida física e psicologicamente pelo acidente que matou Jimmy. Culpando-se pela morte do amigo, abandonou seus objetivos, afastou-se de Matt e dos amigos e nunca mais retornou à sua cidade natal. Tornou-se uma pessoa isolada, convivendo pouco até mesmo com seu pai, que está com câncer. No que diz respeito à sua própria saúde, a personagem sente fortes dores de cabeça e lida de forma negligente com o fato, apesar da insistência do médico que a acompanha desde o acidente.

Mesmo relutante, Rachel decide ir até Great Bishopford para o casamento de Sarah, após muita insistência da amiga. Chegando à cidade, decide enfrentar as memórias que tanto luta para esquecer, e faz um tour pela cidade antes de comparecer ao jantar de despedida de solteira da amiga. Nele, passa por sua antiga casa e pela de Jimmy – algo catártico e bastante doloroso, que acaba agravando suas já fortes dores de cabeça.

E é na despedida de Sarah que os amigos se reúnem pela primeira vez após o trágico acidente. Todos agem de forma superficial e evitam falar sobre Jimmy, de forma que o jantar corre bem, até Rachel sentir outra forte enxaqueca e precisar ir embora. Matt lhe oferece uma carona, desagradando uma ciumenta Cathy – sua atual namorada.

Após uma difícil conversa com Matt, Rachel fica perturbada e decide visitar o túmulo de Jimmy. Lá, completamente abalada, suas dores se agravam ainda mais e ela desmaia.

Ao acordar no hospital, Rachel encontra uma nova realidade; ela está no hospital porque foi agredida durante um assalto, tornou-se uma profissional de sucesso, está noiva de Matt, seu pai não está doente, e o mais impressionante: Jimmy está vivo. O acidente, antes fatal, agora era sinônimo de sorte, pois todos conseguiram se salvar. Conseguindo lembrar-se somente dos cinco anos seguintes à morte de Jimmy e sem saber nada desta “nova vida”, Rachel inicia uma busca para provar a veracidade de suas lembranças e também familiarizar-se com o que desconhece.

Neste processo, Rachel reaproxima-se de Jimmy, o único além de seu pai que não duvida de sua sanidade. Esta reaproximação fortalece a amizade de que a personagem tanto sentia falta, e permite que antigos sentimentos e desejos venham à tona. Após algumas descobertas, os dois assumem o que sentem de fato e passam a viver uma história de amor, e Rachel finalmente volta a sentir-se feliz e satisfeita com sua vida.

E como todo bom romance, o livro parece estar se encaminhando para o “felizes para sempre” mais provável de todos, até que uma revelação deixa o leitor completamente desconcertado e muda o caráter e o sentido de tudo que acabou de ser lido.

Uma curva no tempo é daqueles livros que provocam amor e ódio nos leitores nas últimas cinco páginas. É possível encontrar opiniões extremamente positivas e emocionadas sobre o livro e ao mesmo tempo em que outras julgam ser o pior livro já escrito. Mas sempre há um ponto em comum: o final é sem dúvida impressionante.

Pessoalmente, ainda estou refletindo sobre o desfecho e não consegui definir uma posição; há momentos em que acho que a história fala sobre amor, esperança e segundas chances, de uma forma poética até. Enquanto em outras horas, só consigo pensar que é tudo uma terrível brincadeira de mau-gosto, bem piegas, de deixar qualquer um desiludido com a vida. Sinceramente, não tenho opinião formada.

Porém, é inegável a qualidade da escrita de Dani Atkins e a forma inteligente como ela conduziu a história, relacionando pequenos fatos a grandes acontecimentos. O enredo é muito bem construído e amarrado, sem pontas soltas, e nenhuma informação é irrelevante. Confesso que o desfecho, para os mais atentos, fica nítido em algum momento da história – mas não perde seu efeito surpresa ou deixa de provocar reflexão no leitor. Concluindo, independente das impressões finais, o livro merece ser lido.

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