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Review: Animais Fantásticos e os Crimes de Grindewald

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Com algum tempo de atraso, criei coragem para fazer este Review. Coragem, porque direi algo pela primeira vez na vida: J. K. Rowling não acertou, o que na verdade quer dizer que, na minha opinião – ela errou.

Antes que eu receba uma onda de xingamentos, deixa eu esclarecer algo: eu sou MUITO fã de Harry Potter. Mesmo. Já disse isso aqui, mas vou repetir – é um dos livros que mais me marcaram, acho JK fantástica e chorei igual a um bebe quando entrei no parque da Universal. Então é muito difícil como fã, enxergar defeitos no universo Potter.

Claro que já fiquei insatisfeita outras vezes com rumos da história: as mortes desnecessárias no último livro (Fred Weasley por exemplo), e o destino de Dumbledore – apesar de necessário. Porém, mesmo não concordando sempre via coerência nos acontecimentos, o que não ocorreu em Animais Fantásticos e os Crimes de Grindewald. 

Saindo do cinema, meu primeiro pensamento foi: preciso ver este filme novamente (ainda não o fiz, aliás), e não foi porque  “amei” a produção, mas sim porque estava confusa diante do que havia acabado de assistir.

Este post é livre de spoilers, até porque outros foram feitos em demasia – ao final vou deixar o que considerei a melhor crítica do filme, aliás. Mas gostaria de analisar alguns pontos pertinentes e seus desdobramentos.

  • Fan-service: é inegável o excesso de fan-service presente no filme e como afetou negativamente a trama. Personagens introduzidos para agradar aos fãs não tiveram a importância que deveriam no desenrolar do enredo e ainda atrapalharam uma consolidada linha temporal, construída ao longo de vinte anos de publicações. Não me desagrada quando autores agradam ao público entregando aquilo que ele anseia em assistir mas, em demasia, cansa. E francamente, o fan-service mais pedido e esperado desta produção – a relação amorosa entre Dumbledore e Grindewald – foi pouquíssimo explorado, o que foi frustrante.
  • “Filme de intersecção”: sabemos que a franquia terá cinco filmes, sendo este somente o segundo, e outras sagas conhecidas tiveram produções que foram conectores da trama geral – Senhor dos Anéis, por exemplo. Porém, isso nunca havia acontecido no universo de J.K. Rowling; mesmo com pontas soltas, cada filme/livro sempre teve um começo-meio-fim, o famoso “roteiro-redondinho”, enquanto que em “Crimes de Grindewald” vários plots são iniciados, mas poucos deles fechados e, um número menor, bem desenvolvidos. Pode ser que após a exibição do terceiro filme, “tudo faça sentido” mas, não me agrada a ideia de esperar dois anos para compreender uma história de forma ordenada e clara. Mesmo o argumento da “revelação” do final foi “jogado” no telespectador, com pouca ou nenhuma construção – sem citar as interferências que acarretará na história que já conhecemos. Pessoalmente, sair do cinema com mais interrogações que respostas ou embasamentos foi bastante incômodo.

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  • Johnny Deep: Criticou-se muito a escolha do ator, e por mais que me desagrade a “pessoa” de Deep e os fatos negativos já divulgados sobre ele, é inegável o quão bem ele está como Grindewald. Dar “vida” à um personagem tão contraditório, que acredita em um discurso terrível mas o prega de forma tão eficaz que parece ter sentido e torna-se sedutor, não é uma tarefa fácil; o ator a cumpriu com maestria – e sem nenhuma sombra de Jack Sparrow! Jude Law também estava excelente nas poucas cenas como Dumbledore, e a ansiedade para vê-los contracenando, cresceu.
  • Leta Lestrange: agora sim faço um mea-culpa e confesso que não gosto da Zoe Kravitz. Acho ela péssima atriz, inexpressiva e fria… o que obviamente pode ter afetado minha empatia pela personagem, mas tanto foi falado sobre a mesma que esperei um desenvolvimento maior – de caráter, história e até mesmo do passado de Leta. Os fatos contados e mostrados foram confusos e pouco cativantes.
  • Newt: sou fã de Eddie Redmayne e considero ele perfeito no personagem, mas é possível ver traços da atuação dele como Stephen Hawking em Newt – o que não chega a ser negativo, mas chama mais atenção do que deveria.

Concluindo, preciso assistir novamente o filme e principalmente o próximo para ter uma opinião mais concreta, mas a frustração de não sair do cinema “amando” o que vi – principalmente quando se é fã – é inevitável. Espero que produção e autora assimilem todas as críticas que vêm sendo feitas e façam as mudanças necessárias, para que Animais Fantásticos consiga corresponder ao alto patamar de qualidade construído ao longo dos filmes de Harry Potter.

Abaixo, deixo o vídeo – COM SPOILERS – do canal Toga Voadora, uma das análises que mais gostei sobre o filme.

Fonte: Canal Toga Voadora

Resenha: O ódio que você semeia, Angie Thomas – Editora Galera

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Eu li este livro já faz um tempo, mas precisei absorver todo o conteúdo que ele me trouxe para poder falar sobre ele; e mesmo assim acredito que não farei jus à obra. O Ódio que você semeia, escrito pela americana Angie Thomas é um dos livros que mais me ensinaram sobre racismo desde o clássico O Sol é para Todos, de Harper Lee. Porém, a escrita de Angie Thomas é atual, clara e direta, o que torna a mensagem transmitida no livro ainda mais forte.

A obra conta a história de Starr, “uma adolescente negra de dezesseis anos que presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco. Ela é forçada a testemunhar no tribunal por ser a única pessoa presente na cena do crime. Mesmo sofrendo uma série de chantagens, ela está disposta a dizer a verdade pela honra de seu amigo, custe o que custar.”

Pessoalmente, foi muito importante e enriquecedor ler uma história contada por uma protagonista que possui um lugar de fala tão diferente do meu e dos livros os quais estou habituada a ler. A trama se passa nos Estados Unidos, mas poderia muito bem ter acontecido em alguma comunidade carioca ou na periferia paulista, aliás poderia acontecer em QUALQUER lugar. Acredito que meu “encantamento” com a obra não esteja só, já que o livro chegou ao 1º lugar na lista do New York Times na semana de seu lançamento e ganhou uma adaptação para os cinemas, cuja estreia é dia 6 de dezembro – e as críticas não poderiam ser melhores. A adaptação traz nomes conhecidos no elenco: Amandla Stenberg (Jogos Vorazes, Tudo e todas as coisas, Mentes Sombrias), KJ Apa (Riverdale), Common, Russel Hornsby, dentre outros. Infelizmente, um fato triste: a roteirista do filme, Audrey Wells, faleceu vítima de câncer um dia antes da estreia norte-americana; ela tinha 58 anos.

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Muitos pais me perguntam um bom livro para seus filhos adolescentes lerem; além de Harry Potter, que sempre indico, gostaria de acrescentar especialmente este como uma opção mais que obrigatória. Aliás acredito que O Ódio que você semeia é o tipo de livro que deve ser lido por todos, de todas as idades e em todos os momentos. E que as temáticas propostas no livro sejam discutidas em demasia, principalmente neste período de tamanha intolerância pelo qual estamos atravessando. Foi um excelente leitura e estou muito ansiosa para o filme. Indico!

 

 

 

Resenha: Canção de Ninar, Leila Slimani – Tusquets Editores

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Um soco no estômago.

É impossível pensar em outra expressão para resumir a leitura de Canção de Ninar, da escritora franco-marroquina Leila Slimani. Meu primeiro contato com o livro foi assistindo à entrevista da escritora no programa Milênio da Globo News (aliás muito bem direcionada pela repórter Leila Sterenberg). Fiquei muito curiosa com a trama, com a crítica social proposta pela autora e pelos prêmios conquistados pelo livro, que o comprei no dia seguinte.

Desde as primeiras páginas, Slimani acaba com qualquer zona de conforto possível do leitor. A história se passa em Paris, mas poderia ter acontecido em qualquer outra cidade, com qualquer outra família.

O livro não é longo, mas é denso, difícil e incômodo, obrigando-nos a repensar certos hábitos que por ventura tenhamos, e na injustiça diante de uma hierarquia de trabalho. Expõe a facilidade com que personificamos as pessoas à nossa volta e esquecemos que, por trás de uma babá, empregada, entregador, atendente, advogada… existe um ser humano com história, anseios e questões.

O fato do livro não possuir um único narrador foi uma excelente estratégia, pois nos permite ver diferentes pontos de vista da situação que está se construindo, e nos solidarizarmos – ou não – com as personagens envolvidas na trama. Ouso dizer que o livro não defende um argumento unilateral, é possível concordar com ambos personagens em lados opostos de uma discussão, mas nos tira do lugar “comum” de não enxergamos as maneiras as quais trabalhadores e empregados são afetados, durante este conturbado relacionamento como, por exemplo, no caso de babá-pais.

Muitas passagens me remeteram ao filme “Que horas ela volta” , dirigido por Anna Muylaert e protagonizado por Regina Casé – se você não conhece, assista – e a crítica exaltada no filme. A diferença fica a cargo das protagonistas: enquanto a personagem de Regina Casé é uma otimista incurável, a Louise descrita por Slimani é um ser humano cujo juízo vai se modificando e fica marcado pelos duros acontecimentos  e abusos sofridos em sua vida.

Concluindo, Canção de Ninar não aborda apenas uma questão social, mas também como a solidão, a depressão e necessidade de pertencimento podem afetar diretamente o ser-humano e seus atos. Leiam.

Sinopse:

“Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos de classe e entre culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês. “A tensão latente em cada página aquece aos poucos a análise da burguesia, até ser dinamitada por um impulso de violência instintiva.” Stéphanie Dupays e Eric Loret, Le Monde.”

Fonte: www.amazon.com.br

Link para compra:

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Resenha: A Carne dos Anjos, Siobhan Dowd – Ed. Agir

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O primeiro contato que tive com a escritora Siobhan Dowd, sem saber, foi ao ler “Sete minutos depois da meia noite”, do autor Patrick Ness. Fiquei tão comovida com um livro aparentemente tão pequeno – mas tão bem escrito – que procurei todas as suas informações possíveis. Descobri então que a premissa partiu originalmente de Siobhan Dowd; como a escritora encontrava-se em um estágio avançado de câncer, temeu não conseguir finalizar a história a tempo e pediu ao seu amigo, Patrick, que o fizesse.

Diante dessa “revelação” fiquei apaixonada pela escritora (como podemos mensurar a generosidade de um escritor para com seus leitores ao entregar uma história para que um colega a finalize?!), algo que cresceu exponencialmente ao ler sua biografia: filha de irlandeses e criada na Inglaterra, Dowd se envolveu em inúmeros movimentos à favor dos direitos humanos e da liberdade de expressão, criando  iniciativas de apoio à infância e adolescência em áreas humildes de diversas cidades. Infelizmente, os temores de Dowd com relação à sua doença se concretizaram, e ela veio à falecer em 2007, com apenas 47 anos de idade.

Procurei todas as publicações possíveis da escritora; e fico muito triste em dizer que a única traduzida para o português é “A Carne dos Anjos”,   obra que lhe rendeu premiações, excelentes críticas e uma indicação para o  Guardian Children’s Fiction Prize.

Comprei o livro e ele ficou um bom tempo parado na minha estante até que eu criasse coragem para lê-lo.  O enredo é baseado em uma história real, e conta a história de Shell, uma adolescente de apenas 15 anos mas que já passou pelas mais tristes e adversas situações em sua vida: a morte da mãe, o alcoolismo do pai, a responsabilidade pelos irmãos mais novos, o abuso de amigos e ainda irá se ver no meio de um escândalo envolvendo a Igreja em uma pequena cidade católica Irlandesa.

A história é muito, muito pesada, daquela de arrancar lágrimas e revolta a cada capítulo mas, Dowd a contou de forma tão honesta e até mesmo pura, que apesar de toda a tristeza presente naquelas páginas, conseguimos ter momentos de leveza e alegria durante a leitura. E isto me mostrou a genialidade da autora, que provoca no leitor os mesmos sentimentos os quais a protagonista enfrenta, ora inserindo-nos na história e ora nos deixando sedentos pela vontade de cuidar de Shell e livra-la de todos aqueles males.

Um livro triste com uma narrativa forte e difícil de digerir, mas excepcionalmente bem escrito, tornando seu processo de leitura algo emocionante e…enriquecedor. Indico muito, e imploro para que editoras brasileiras traduzam as outras obras da escritora. Siobhan Dowd merece – e muito – ser lida e apreciada por todos que tiverem a chance.

 

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“She had the characters, a premise, and a beginning. What she didn’t have, unfortunately, was time.”
—Patrick Ness, in the Author’s Note to A Monster Calls

“Ela tinha os personagens, a premissa e o início. O que ela não tinha, infelizmente, era tempo” (T.L.)

Resenha: Pequenos incêndios por toda parte, Celeste Ng – Ed. Intrínseca

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Eu já havia lido algo sobre o livro na página da @intrinseca, mas confesso que foi durante uma visita à livraria que o título me chamou atenção. Quando li a sinopse da obra escrita por Celeste Ng, achei algumas semelhanças com outras quw já li de uma autora que gosto muito: Liane Moriarty. E não estava errada.

Ambas as escritoras são maravilhosas porque tornam personagens/acontecimentos ordinários e banais em histórias com tramas surpreendentes.

Em Pequenos incêndios por toda parte não é diferente. O enredo nos prende do início ao fim (se não me engano, li o livro em três dias), e ao longo da leitura descobrimos que nenhum personagem é perfeito, essencialmente bom ou mal, são todos humanos. Os plots tratados são diversos, desde imigração, abandono paterno, traição, problemas psicológicos, superficialidade forçada além de promover uma excelente discussão em torno dos processos de adoção nos EUA.

Foi interessante ver como a autora incluiu pontos relevantes de sua cultura – seus pais são imigrantes chineses, já ela é americana – de forma muito sutil no enredo. E mais interessante ainda foi constatar que a citação de Anna Karenina “As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira” é atemporal.

Gostei tanto da leitura, que em seguida comprei outro título da autora, chamado “Tudo que nunca contei” e confesso que ele está na filinha de espera dos livros a serem lidos mas estou ansiosa.

Celeste Ng foi uma agradável descoberta! Recomendo!

Links para compra:

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Resenha: A casa das marés, Jojo Moyes

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Jojo Moyes é aquela leitura que não tem erro, se você está com medo de arriscar e com necessidade de ler uma obra de qualidade, ela é escolha certa; a história sempre é bem escrita e o enredo bem pensado e sem furos. Mas, sou suspeita para falar, afinal ela é umas das minhas cinco escritoras favoritas e nem é por causa de seu livro de maior sucesso, Como eu era antes de você.

Comprei A casa das marés (Editora Intrínseca) sem ler a sinopse, em alguma promoção junto com vários outros livros, tamanha era minha certeza de que eu gostaria da leitura. O que eu não sabia é que eu iria gostar TANTO, e que ele por pouco não roubaria de O Som do Amor o lugar de “livro preferido da Jojo Moyes” na minha vida!

Aliás, faz sentido que eu tenha me apaixonado por ambos os livros; os dois tem como âncora do enredo uma “casa”, de forma que a história pode estender-se por dias, meses e até décadas, mas a presença do local é uma constante. E é  onde os  acontecimentos principais do romance se realizam, e onde as personagens se apresentam e amadurecem. E as similaridades não param por aí: ambas as obras tem como pano de fundo a temática – o que fazer quando a vida não obedece “nossos planos” e não sai como o planejado. Nos dois casos, lemos histórias muito reais de amadurecimento e superação.

Em A casa das marés a linha temporal começa na década de 50, e dá um salto para 50 anos depois. Durante este período acompanhamos a evolução da Casa Arcádia – localizada na orla de uma pacata cidade do interior americano – e das amizades, amores e traições que envolverão seus personagens dentro e fora dela. Primeiramente, me chamou muita atenção o fato de apesar de termos alguns personagens com atitudes péssimas e caráter duvidoso, nenhum deles pode ser classificado como um vilão, um “ser do mal”, pura e simplesmente. A escritora depositou tanta carga emocional e humana para a história, que em vários momentos me vi questionando se “aquela atitude tenebrosa” não seria compreensível diante das circunstancias e do arco da personagem. Não se trata de um conto de fadas ou um romance de fantasia, é uma história muito real que poderia e pode ter acontecido na vida de muitas pessoas. Se eu pudesse resumir, diria que é um romance de desencontros e as reviravoltas da própria vida.

Outro fator que me chamou muita atenção é que ao longo de suas 376 páginas não houve um diálogo vazio, uma página de “embromação”, nada. Jojo Moyes utilizou-se de uma franqueza tão surpreendente ao contar a história de Lottie, Celia e da Casa Arcádia que todas as palavras ditas ali são relevantes e pertinentes, não há espaços para firulas literárias, o foco é a vida daquelas personagens, que nos está sendo contada.

Não quero falar muito mais, porque indico – aliás quero – que vocês leiam. Este livro mexeu bastante comigo e acredito que irá fazer o mesmo com quem se propor a lê-lo. E para as arquitetas (os), deixo uma passagem que na minha opinião resume lindamente a “dor e a delícia” da profissão. Boa leitura!

“Essa era sempre a parte mais difícil de um projeto. A visão que você tinha se esmerado para construir, para a qual havia perdido noites de sono, trabalhado com poeira no cabelo e as unhas cobertas de tinta finalmente ficava pronta, colorida com dores e estofada com exaustão. Então, quando tudo estava perfeito, você abandonava o lugar.”

Sinopse: A casa das Marés, Jojo Moyes – Ed. Intrínseca:

Uma história que atravessa décadas e gerações para mostrar que nunca é tarde demais para nos descobrir e correr atrás dos nossos sonhos.

Na década de 1950, Merham não passava de uma cidadezinha litorânea como tantas outras: pacata, tradicional e obcecada pelas aparências. Os homens cuidavam do comércio, as mulheres cuidavam dos filhos e todos tomavam conta da vida dos outros. Até que um boêmio grupo de artistas estrangeiros se muda para a Casa Arcádia, uma bela construção art déco à beira-mar. Ao contrário dos demais habitantes, que logo veem os artistas com maus olhos, temerosos de que possam destruir a boa reputação da cidade, Lottie Swift e Celia Holden não conseguem esconder o interesse pelos novos residentes.

Cinquenta anos mais tarde, quando o passado já parece enterrado e esquecido, a Casa Arcádia é vendida para um empresário que pretende transformá-la em um refúgio de luxo planejado pela arquiteta Daisy Parsons, que chega a Merham para reconstruir não só a casa, mas sua própria vida. Porém, assim como antes, o prenúncio de mudança revolta os moradores, dispostos a tudo para inviabilizar o projeto.

Repleto de encontros emocionantes e segredos revelados, A casa das marés é uma leitura deliciosa e romântica que explora as dinâmicas familiares, antigos amores e traições.

Links para compra: AMBOS NA PROMOÇÃO!!!

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Resenha: Sete minutos depois da meia-noite

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“Homens são monstros complicados”

Estava querendo uma leitura rápida e leve, e acabei pegando “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”, do autor americano Patrick Ness, da prateleira. A leitura foi rápida, mas longe de ser leve.
A obra conta a história de Conor, um garoto de 13 anos cuja mãe está enfrentando um rigoroso tratamento contra o câncer. Na escola, seus amigos ignoram sua presença, com exceção de um grupo que diariamente faz bullying com ele. Todas as noites, Conor tem o mesmo pesadelo; até que em uma delas, à 00:07, ele recebe a visita de um monstro que lhe faz uma proposta: contar ao menino três histórias e depois disto, escutar apenas uma de Conor, a sua verdade.

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Apesar de muito bem escrito e de conter elementos de fantasia, o livro é triste do começo ao fim, daqueles que levam às lágrimas em vários momentos. A narrativa desenvolve-se perfeitamente, e muitos dos diálogos e personagens exigem reflexão. Não se engane pelo tamanho do livro, pois ele traz bastante conteúdo.

Terminada a leitura, fui pesquisar sobre o autor e descobri algo tocante: a ideia para “Sete minutos” foi dada a ele por Siobhan Dowd, escritora inglesa que lutava contra o câncer e faleceu em 2007 com apenas 47 anos. Temendo não conseguir finalizar a obra devida sua condição, Siobhan entrega a temática central da história para seu amigo Patrick, que a executa com louvor. É importante falar que todos os direitos autorais do livro vão para a Fundação Siobhan Dowd.
A história foi adaptada para o cinema e está no catálogo da Netflix. Com Sigourney Weaver e Felicity Jones no elenco, além de belas imagens, consegue ser ainda mais emocionante que o livro. É um daqueles raros casos em que o filme se equipara em qualidade ao livro. Leiam, assistam ou ambos; trata-se de uma história essencial sobre amor, culpa e luto.
Ps. Em minha opinião, apesar do que diz a indicação, não é um filme para crianças. E prepare o lencinho.

 

Resenha: To the Bones, Netflix

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Eu estava muito ansiosa com a estreia de To the Bones, filme cujo direitos foram comprados pela Netflix logo após a 1a exibição em um festival. Estrelado por Lilly Collins no papel principal, a trama conta as dificuldades de uma jovem com transtornos alimentares em sua recuperação.
Apesar das cenas fortes e chocantes (avisadas logo no início pela netflix), o filme trata o assunto com respeito e sutilezas impecáveis, sem fugir da realidade e da gravidade da situação. Resumindo, trata de forma humana, real e sem glamour.
Para quem viu Lilly Collins como Branca de Neve em Espelho, espelho Meu, o choque visual e também com o amadurecimento da atriz será grande. Aliás todas as atuações são dignas de destaque, desde a mãe egoísta, as companheiras de reabilitação e até mesmo Keanu Reeves como orientador. Mas o parabéns vai mesmo para Alex Sharp como Luke – na minha opinião, brilhante.
Sem dar spoilers, a sequência final é linda, bem dirigida e extremamente poética. To the bone é um filme denso, que aborda temas graves mas que mesmo com todo o drama, consegue ter comédia, romance e cenas de muita beleza e poesia – além de uma bela fotografia.
Assistam, assistam e assistam!
Ps1: a ausência do pai diz muito mais para o contexto do que sua presença. Ilustra como a falta da figura paterna pode afetar de diversas formas negativas o psicológico de uma jovem em formação e todo o campo familiar em seu entorno.
Ps2: a perturbadora e belíssima cena final entre a protagonista e sua mãe deu margem a muitas interpretações e só quem assistiu consegue ter alguma opinião; e pensar novamente e mudar de opinião…. e ai por diante.

O Som do Amor, de Jojo Moyes.

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Esqueça tudo que você já leu de Jojo Moyes. O Som do Amor – cujo título não faz jus à história – é um enorme “ponto fora da curva” na carreira da escritora. E antes que vcs me arremessem objetos eu digo: isto foi EXCELENTE.
O livro possui um dos melhores ritmos e o maior número de reviravoltas (sem perder a qualidade) que já li. Somado a isto, personagens muito complexos e carismáticos, descritos de forma inteligente por um narrador “onipresente” – que conta a história e ao mesmo tempo as reflexões de todos.
Jojo foi capaz de escrever um livro com uma carga enorme de “suspense e conspiração” sem perder a beleza de sua escrita, com passagens e diálogos maravilhosos., carregados de emoção.
Vi nesta obra algo que tb já vi em “Quem é você Alasca?”: quando o enredo é bem pensado e amarrado, nos envolvemos com os personagens, acompanhamos seu amadurecimento e quando o grande “ápice” da história é revelado, você percebe que ele foi iniciado capítulos atrás, de uma forma sutil e nem um pouco descarada. Ou seja, o trabalho foi bem feito.
Não quero falar mais para não dar spoilers, então insisto: desconsiderem o título e a sinopse e leiam. E não pq eles sejam ruins, mas a rica história que é contada vai muito além deles. Entrou na briga pelo meu top10.
Ps. Foto tirada na Urca, com a Baía de Guanabara ao fundo.

Tudo e todas as coisas, de Nicola Yoon

 

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Tudo e todas as coisas, livro escrito pela jamaicana Nicola Yoon, em um primeiro momento parece mais uma história clichê feita para arrancar lágrimas; mas está muito longe disto. Confesso que só soube do livro quando vi os anúncios do filme e de maneira despretensiosa, comprei o ebook. Até que um belo dia resolvi abrir o link para ler as primeiras páginas e não parei mais, engoli o livro!
Ao mesmo tempo que é lindo ver o crescimento e amadurecimento da personagem Mad e a perda da sua inocência, é desesperador ser telespectador da relação doente e simbiótica entre ela e a mãe, que a manipula em diferentes níveis de chantagens mascarados com amor. Em determinado ponto do livro as atitudes da mãe de Madeline ficam tão absurdas, que entregam o “plot twist” do livro.
Olly acaba sendo para o leitor mais carismático que a própria Mad, o que se deve ao fato de o conhecermos através do olhar dela, que está apaixonada por ele. Então natural que o personagem seja mais romantizado.
Se tenho alguma crítica à fazer, é ao final. Ficou corrido, faltaram informações intermediárias e elaboração nos fatos finais. Não sei se é a intenção da escritora fazer um outro volume, mas pessoalmente achei que algumas pontas ficaram soltas e algumas questões em aberto que me incomodaram. Mas no todo fiquei muito satisfeita com a leitura.
Com relação ao filme eu não assisti; ele estreou dia 15/06 e quando procurei um cinema para assistir no dia 29 ele já havia saído de cartaz, o que foi uma pena, pois estou bastante curiosa. O jeito é aguardar entrar no Now, Netflix ou em outra plataforma que eu possa assistir e fazer a comparação. Sigo aguardando! Recomendo!