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Resenha: Férias, Marian Keyes

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“Ninguém pode nos fazer sentir coisa alguma… Nossos sentimentos são responsabilidade nossa.”

Férias, de autoria da escritora irlandesa Marian Keyes, pode até ter seus momentos “tragicômicos”, mas em nenhum momento se aproxima do título que carrega. Trata-se de um livro denso, difícil, e que aborda um dos maiores males da nossa sociedade: vícios.

A história começa quando Rachel, a irmã do meio da família Walsh (já conhecida no livro Melancia), sofre uma overdose de remédios e drogas em Nova York, onde mora com a melhor amiga Bridget. Diante da exposição da gravidade de seu vício, Rachel é obrigada pela sua família a retornar à Irlanda para tratar-se no centro de reabilitação chamado Claustro.

Apesar das evidências da gravidade do mal que sofreu, Rachel recusa-se a reconhecer que tem um problema e insiste que tudo não passou de um terrível engano. Para ela, seu uso constante de drogas de diferentes tipos não passa de algo recreativo, por mais que suas relações interpessoais e profissionais demonstrem exatamente o contrário; algo que inclusive prejudica e finda seu relacionamento com o namorado, Luke.

Mantendo-se em um estado de constante negação, Rachel não cria objeções à sua internação no Claustro, pois acredita estar indo para um spa cheio de celebridades e luxos. Mesmo já dentro do estabelecimento, projeta a fantasia onde encontrará pessoas famosas em outro setor diferente do seu, que acredita estar passando por obras devido às simplórias condições.

Como não se considera uma dependente química, Rachel sente-se superior aos outros internos, que possuem os mais diversos vícios (álcool, jogos, comida). Porém, aos poucos, a personagem vai se afeiçoando às pessoas e criando uma espécie de vínculo com elas – mesmo que ainda não reconheça sua condição de toxicômana.

Em uma estratégia inteligentíssima da escritora, acompanhamos em paralelo com sua estadia no Claustro, flashbacks do passado de Rachel. Neles, conhecemos sua personalidade (e extrema falta de autoestima), seus relacionamentos amorosos (incluindo Luke), a complexa amizade com Bridget e o agravamento de seus vícios – e suas respectivas consequências.

Durante as sessões de terapia em grupo no Claustro, Rachel passa a reconhecer a raiz das suas inseguranças agravadas por questões familiares, e a forma como usava drogas para não lidar com elas. A aceitação de sua condição de dependente química, e o reconhecimento de seu comportamento negativo, ocorre somente quando é duramente confrontada por Luke e Bridget. E é a partir deste momento que a personagem realmente dedica-se ao seu processo de reabilitação, amadurecendo e ganhando novas perspectivas e valores.

Mesmo disposta e focada em mudar, ao sair do Claustro, uma sequência de acontecimentos levam Rachel a ter uma recaída. Este episódio será essencial para que a personagem conclua alguns assuntos em aberto, e sinta repulsa por sua antiga rotina e seu vício, ganhando “novo fôlego” para permanecer sóbria.

Parte do processo de “cura” da personagem consiste em perdoar, se perdoar e pedir perdão para as pessoas que magoou. Nesta busca, Rachel retorna a Nova York em busca do perdão do Luke.  O final, de certa forma piegas, oferece conforto diante de toda a dura realidade exposta no livro; e também dá “ares de esperança” para a protagonista e os leitores que, por algum motivo, identificam-se com ela.

Concluindo, Marian Keyes trata a questão das drogas de forma honesta, sem floreios, abordando a fundo causas e consequências do problema. É importante ressaltar a constante preocupação da autora em “quebrar” estereótipos, mostrando que o vício é uma doença que pode afetar todo o tipo de pessoa, independente de idade, gênero, raça ou condição social. Férias é aquele livro que simultaneamente entretém, informa e faz pensar.

 

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Sinopse do livro: Férias, de Marian Keyes

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E vamos dar início à leitura do segundo volume do Especial Irmãs Walsh, da escritora Marian Keyes: Férias!

Vejam a Sinopse abaixo:

“Marian Keyes retrata o universo feminino de modo irreverente e cômico. As protagonistas dos seus livros não são beldades, elas têm problemas comuns a qualquer mortal.

Em Melancia, o primeiro grande sucesso da autora, Claire é abandonada pelo marido com uma filha recém-nascida nos braços e volta para a casa dos pais. Rachel Walsh, personagem principal de Férias!, é irmã de Claire e, após perder o emprego em Nova York, ser deixada pelo namorado Luke Costello e quase morrer de overdose, é obrigada pelo pai a se internar em uma clínica para dependentes químicos na Irlanda.

Pensando que iria para um spa curtir férias, Rachel se revolta quando descobre que está internada em um centro de reabilitação, e se recusa  a admitir que tem sérios problemas, afinal, “não era magra o bastante para ser uma toxicômana”. Ela precisará atravessar uma intensa jornada até reconhecer seus erros e reconquistar as pessoas que mais ama.”

Fonte: Site Grupo Editorial Record /Bertrand Brasil

http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24918

 

 

Resenha: Melancia, Marian Keyes

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Melancia, primeiro best-seller da escritora Marian Keyes, conta a história de Claire Walsh, uma irlandesa que é abandonada pelo marido, James, no exato momento em que acaba de dar à luz a primeira filha do casal. Como a personagem é a narradora da história, o leitor fica a par de todos os sentimentos e conflitos que a mesma precisa enfrentar.

Aos 29 anos, sozinha e com uma filha recém-nascida, Claire decide sair de Londres onde morava por um período, e viajar para a casa dos pais em Dublin. Completamente abalada, pois seu marido a abandona para viver com outra mulher (a vizinha deles), Claire passa por todos os estágios de rejeição e humilhação pertinentes à traição que sofre. O fato de ter acabado de dar à luz acentua ainda mais seu sofrimento, pois se sente na obrigação de pensar por ela e pela filha, mas diante de sua depressão, não consegue fazê-lo. Filha mais velha de uma família com cinco filhas, ela conta com a ajuda de seus familiares que ainda moram em Dublin: seus pais e suas duas irmãs mais novas, Anna e Helen para cuidar da filha e se reequilibrar.

Diante da traição do marido e fim casamento que considerava perfeitos, Claire passa a se questionar sobre o que pode ter acontecido de errado, sem conseguir enxergar motivos para a atitude de James. A tristeza, somada com a sua falta de autoestima (ela está bem acima do seu peso devido à gravidez, comparando-se a uma Melancia – e daí vem o nome do livro), a colocam num espiral de depressão e auto depreciação. Ela passa a viver os seus dias cuidando o máximo que consegue da filha, e esperando o retorno do marido, desejando sua “antiga vida” de volta. Posterga inclusive, a resolução de questões financeiras básicas, pois para ela, tomar estas decisões significa assumir que seu casamento acabou.

Com o passar das semanas, Claire começa a aceitar o fato de que seu marido não irá voltar e dá início a um processo de reação. Percebe que perdeu peso, volta a se vestir de forma decente, cozinhar e dar mais atenção à filha. É neste momento que ela conhece o atraente e gentil amigo da irmã, Adam. Logo no primeiro momento Claire interessa-se por ele (mesmo negando isto inicialmente), e a atração é mútua. Os dois então dão início a um complicado relacionamento, regado a momentos de crise, pois Claire ainda está insegura para envolver-se novamente. Adam trata Claire muito bem, o que a faz sentir-se bem em sua presença. Ele sempre a lembra o quanto ela é interessante e especial, e assim a personagem começa e retomar o seu já esquecido amor-próprio.

E quando finalmente a personagem parece estar entrando em sintonia com Adam, seu marido reaparece. Mas ao contrário do que Claire fantasiou ao longo de meses, James não retorna pedindo seu perdão e implorando que ela retorne para casa. Ao contrário, ele coloca Claire na posição de culpada, alegando que seu temperamento imaturo e egoísta foi um catalizador para a traição que cometeu, e exige mudanças drásticas por parte dela para que eles possam reatar.

Desnorteada, e pensando no ambiente familiar que gostaria de dar à filha, Claire acaba assumindo a culpa que lhe é imposta, e aceita voltar para Londres e para James – mesmo não estando feliz com essa decisão e magoando Adam. Porém, ao entrar sem querer em contato com antigos amigos, surpreendentemente Claire descobre o quão desesperado James estava para tê-la de volta. A personagem conclui então que todo o discurso de seu marido foi uma forma de manipulá-la, pois o isentava do grave erro que cometeu, e ainda era uma maneira de “domesticar” sua personalidade que o deixava tão inseguro.

Neste momento do enredo, Claire deixa de ter uma visão romântica de James, e passa a enxergar seus graves defeitos, inclusive seu pouco interesse pela filha, e vai deixando gradualmente de amá-lo. Tomada pela ira, ela vai até Londres e finalmente termina seu casamento de uma vez por todas. É importante ressaltar que mesmo quando percebe que está prestes a perder a esposa para sempre, James não admite seus erros e continua insistindo que a culpa do término do casamento não é sua, e que Claire não está com “a cabeça no lugar”.

Perante este novo quadro de sua vida, e após algum tempo para “digerir” tudo o que aconteceu, Claire finalmente amadurece e toma as atitudes que tanto postergou; consegue um novo lugar para morar, define a ajuda financeira que James dará a filha e decide retornar para Londres e para seu antigo emprego. E é neste meio tempo que ela se reencontra com Adam, e descobre mais sobre sua história, inclusive o fato de que ele também está de mudança para Londres. Os dois então assumem seus desejos e livro termina com o caminho aberto para o início de uma bela e saudável relação.

Concluindo, Melancia é um livro que trata de assuntos muito pesados como depressão, abandono e traição, dentre outros, mas sempre com muito bom humor. A escrita rápida, irônica e às vezes até mesmo confusa de Marian Keyes é pertinente à história, pois a mesma é contada pela perspectiva da protagonista que de fato, está confusa. Durante todo o livro a sensação é que estamos ouvindo o relato de uma amiga, e acredito que este tenha sido o desejo da escritora. Com personagens carismáticos e uma história crível e cotidiana, Melancia é uma leitura que merece ser feita (e refeita!) e faz jus ao seu número de vendas.

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Opinião da Leitora Dinâmica: Havia lido o livro há mais de cinco anos atrás e lembro que na época o achei muito divertido e que a escrita da autora me agradou muito, o que me levou a ler seus outros títulos (alguns até melhores que Melancia). Ao reler a história agora, percebi de uma forma diferente as nuances dramáticas do enredo, e a forma divertida, porém direta que a autora trata questões muito graves como drogas e depressão. Foi uma leitura muito produtiva, e que reafirmou Marian Keyes como uma das minhas autoras favoritas.

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Sobre a autora: Marian Keyes

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Marian Keyes é uma das romancistas irlandesas mais bem sucedidas de todos os tempos. Embora ela tenha sido criada em uma casa onde eram contadas muitas histórias, nunca lhe ocorreu que ela poderia se tornar uma escritora. Ao invés disso, ela estudou direito e contabilidade, mas somente em 1993 começou a escrever alguns contos. Embora não tivesse a intenção de escrever um romance (“Levaria muito tempo”), mandou seus contos para uma editora, com uma carta sugerindo que ela havia começado a trabalhar em um romance. Os editores lhe responderam pedindo para ver o material, e após o pânico inicial, ela começou a escrever o que posteriormente se tornaria seu primeiro livro: Melancia.

O livro foi publicado na Irlanda em 1995 e obteve sucesso imediato. O seu estilo de escrita descontraído e com o típico humor irlandês agradou a diferentes faixas etárias, o que facilitou a disseminação do romance por toda a Grã-Bretanha, de forma que Melancia foi categorizado como um livro de ‘novos talentos’. Outros países seguiram este processo (especialmente os EUA em 1997) e, atualmente, a escritora já teve seus trabalhos publicados em trinta e três línguas diferentes.

Até hoje, a mulher que disse que nunca iria escrever um romance, já publicou treze deles: Melancia, Casório, Férias, Agora ou Nunca, Sushi, Los Angeles, Um best-seller para chamar de meu, Tem alguém aí?, Cheio de Charme, A estrela mais brilhante no céu, Chá de Sumiço e A mulher que roubou minha vida; todos best-sellers, totalizando trinta milhões de livros vendidos até 2016. Tem alguém aí? ganhou o prêmio British Book Awards para a ficção popular e o prêmio Melissa Nathan de Comédia Romance. Cheio de Charme ganhou o prêmio Irish Book para a ficção popular.

Os livros tratam de diversas formas de doenças atuais, incluindo: dependência, depressão, violência doméstica, julgamentos e outras graves doenças, mas sempre com compaixão, humor e esperança.

Em 2009, Marian enfrentou um episódio depressivo mais grave e precisou parar de trabalhar. Eventualmente, ela descobriu que cozinhar bolos a ajuda a sobreviver; e em 2012, ela publicou Saved by Cake, que combina receitas com a sua autobiografia.

Em 2014 e 2015, com a publicação da A mulher que roubou minha vida, Marian apareceu em diversos programas de TV como: Strictly Come Dancing – It Takes Two, The Great British Bake Off Extra Slice and the Apprentice – You’ve Been Fired.

Além de romances, ela também já escreveu contos e artigos para várias revistas e outras publicações. Ela já publicou três coleções de seus trabalhos voltados para o jornalismo, intitulados Under the Duvet e Further Under the Duvet, e doou todos os lucrosdas vendas irlandesas para a Comunidade Simon, uma instituição de caridade que trabalha com desabrigados. Em 2016 Marian publicou uma nova coleção de ensaios, Making It Up As I Go Along.

Ela nasceu em Limerick, em 1963, e cresceu em Cavan, Cork, Galway e Dublin; durante seus vinte e poucos anos viveu em Londres, mas agora mora em Dun Laoghaire com o marido, Tony. Ela inclui entre seus passatempos, leitura, filmes, sapatos, bolsas e feminismo.

Fonte: site de escritora: http://www.mariankeyes.com/home

Melancia: Sinopse do Livro

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E finalmente vamos iniciar o Especial Irmãs Walsh, personagens da escritora Marian Keyes, conforme anunciado aqui no blog algumas semanas atrás! O primeiro volume, cuja personagem principal é a mais velha das irmãs Walsh – Claire – é Melancia, confiram abaixo a sinopse. Em 2003 o livro ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Kieron J. Walsh e estrelada por Anna Friel (da série Pushing Daisies) no papel de Claire, e Brenda Fricker (vencedora do Oscar em 1989 pelo filme Meu pé Esquerdo). A produção chegou a ser premiada na Irlanda, mas foi encaminhada diretamente para a televisão e sem muita divulgação nos demais países.

SINOPSE:

“Melancia é um romance sobre a arte de manter o bom humor mesmo nos momentos mais adversos. Com 29 anos, uma filha recém-nascida e um marido que acabou de confessar um caso de mais de seis meses com a vizinha também casada, Claire se resume a um coração partido, um corpo inteiramente redondo, aparentando uma melancia, e os efeitos colaterais de gravidez, como, digamos, um canal de nascimento dez vezes maior que seu tamanho normal! Nada tendo em vista que a anime, Claire volta a morar com sua excêntrica família: duas irmãs, uma delas obcecada pelo oculto, e a outra, uma demolidora de corações; a mãe viciada em telenovelas e com fobia de cozinha; e o pai, à beira de um ataque de nervos. Após passar alguns dias em depressão, bebendo e chorando, Claire decide avaliar os prós e os contras de um casamento de três anos. É justamente nessa hora que James, seu ex-marido, reaparece. Claire irá recebê-lo, mas lhe reservará uma bela surpresa.”

Fonte: Skoob

Especial Irmãs Walsh – Marian Keyes

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Como já falei em um post anterior, a escritora irlandesa Marian Keyes é uma das minhas favoritas! Já li todos os seus livros, e se ela publicar sua lista de mercado, leio também, rs! A autora está desde 2014 sem lançar uma nova publicação, e pensando nisso resolvi fazer um Especial Irmãs Walsh, onde um dos livros resenhados em cada mês pertenceria a esta divertida e emocionante série.

Cada volume conta a história de cada uma das irmãs da família Walsh, seus diferentes dramas, expectativas e momentos de vida; foi lançado também um livro extra, narrado pela mãe das meninas. A série completa – em ordem de lançamento e de acordo com a idade das irmãs – é:

. Melancia, 2003 – protagonista: Claire Walsh

. Férias, 2004 – protagonista: Rachel Walsh

. Los Angeles, 2007 – protagonista: Maggie Walsh

. Tem Alguém Aí?, 2009 – protagonista: Anna Walsh

. Chá de Sumiço, 2013 – protagonista: Helen Walsh

. Pequeno dicionário da família Walsh, 2014 – protagonista: Mamãe Walsh

Fui então à busca dos livros físicos, pois minha coleção estava defasada, e eu a queria ter completa. Aí tive a minha primeira dificuldade: não existe um box que reúna os exemplares à venda (poxa Bertrand Brasil!). É possível encontrar alguns boxes da autora, mas nenhum exclusivamente da família Wash. Por questões de estoque, encomendei os exemplares separadamente em dois sites diferentes: Submarino e Amazon.

Então veio a minha segunda triste surpresa; tive o cuidado de encomendar todos os exemplares em tamanho normal, para que a coleção ficasse harmoniosa na estante (um pouco de “toc” queridos leitores, eu sei). Mas ao abrir a caixa entregue pelo Submarino, recebi os exemplares de Melancia e Férias em formato de bolso; nada contra aos formatos de bolso, mas não foi o que encomendei! Não sei dizer se existe alguma questão legal envolvida, pois ambas as edições foram publicadas pela Best Bolso e não pela Bertrand Brasil, mas fiquei bem chateada. Tenho certeza que os apaixonados por livros me entenderão!

Mas agora chega de resmungar! Esse post é para informar vocês da realização do Especial Irmãs Walsh aqui no Blog! Espero que vocês gostem bastante, particularmente será uma delícia reler estas histórias, e para os que ainda não conhecem a obra da escritora, será uma ótima oportunidade!

Junto com Melancia, teremos um post com mais detalhes sobre a escritora e sua bibliografia! Aguardem!

Boa Leitura a todos!