Arquivo | novembro 2018

The Handmaids Tale e as novidades da autora, Margaret Atwood

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Conforme divulgado em diferentes portais de notícias, a escritora canadense Margaret Atwood confirmou em sua conta no Twitter que está trabalhando na continuação do livro “O Conto da Aia”, obra que deu origem à premiada série da plataforma Hulu, The Handmaid’s Tale.

“The Testaments” será o nome da continuação da distopia, cujo lançamento está previsto para setembro de 2019, sem data confirmada para o Brasil. Diferente do livro lançado em 1985 e que possui uma única narradora – Offred – a obra será narrada por três protagonistas diferentes e acontecerá 15 anos após a cena final da 1a temporada da adaptação televisiva, onde Offred é levada dentro de um furgão para um destino desconhecido. Desta forma a obra dará um salto  de mais de uma década na linha temporal atual da série em exibição, que já tem sua terceira temporada confirmada e com estreia prevista para abril do ano que vem.

Aliás, pouco foi divulgado sobre a nova temporada, mas os nomes de Ann Dowd e Bradley Whitford estão confirmados. Ou seja, Tia Lydia está viva e estará mais rígida do que nunca, de acordo com uma declaração do produtor da série, Bruce Miller. Também conheceremos melhor o “Comandante Lawrence” (Whitford), a cabeça por trás da criação de Gilead –  que ainda na 2a temporada, mostra como sua criação o afetou, levando-o a atitudes perigosas.

Somente após o lançamento de ambos – livro e nova temporada – é que poderemos entender as implicações que uma continuação literária, lançada mais de 30 anos depois, poderá trazer ao universo da série. Aguardemos.

Review: Animais Fantásticos e os Crimes de Grindewald

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Com algum tempo de atraso, criei coragem para fazer este Review. Coragem, porque direi algo pela primeira vez na vida: J. K. Rowling não acertou, o que na verdade quer dizer que, na minha opinião – ela errou.

Antes que eu receba uma onda de xingamentos, deixa eu esclarecer algo: eu sou MUITO fã de Harry Potter. Mesmo. Já disse isso aqui, mas vou repetir – é um dos livros que mais me marcaram, acho JK fantástica e chorei igual a um bebe quando entrei no parque da Universal. Então é muito difícil como fã, enxergar defeitos no universo Potter.

Claro que já fiquei insatisfeita outras vezes com rumos da história: as mortes desnecessárias no último livro (Fred Weasley por exemplo), e o destino de Dumbledore – apesar de necessário. Porém, mesmo não concordando sempre via coerência nos acontecimentos, o que não ocorreu em Animais Fantásticos e os Crimes de Grindewald. 

Saindo do cinema, meu primeiro pensamento foi: preciso ver este filme novamente (ainda não o fiz, aliás), e não foi porque  “amei” a produção, mas sim porque estava confusa diante do que havia acabado de assistir.

Este post é livre de spoilers, até porque outros foram feitos em demasia – ao final vou deixar o que considerei a melhor crítica do filme, aliás. Mas gostaria de analisar alguns pontos pertinentes e seus desdobramentos.

  • Fan-service: é inegável o excesso de fan-service presente no filme e como afetou negativamente a trama. Personagens introduzidos para agradar aos fãs não tiveram a importância que deveriam no desenrolar do enredo e ainda atrapalharam uma consolidada linha temporal, construída ao longo de vinte anos de publicações. Não me desagrada quando autores agradam ao público entregando aquilo que ele anseia em assistir mas, em demasia, cansa. E francamente, o fan-service mais pedido e esperado desta produção – a relação amorosa entre Dumbledore e Grindewald – foi pouquíssimo explorado, o que foi frustrante.
  • “Filme de intersecção”: sabemos que a franquia terá cinco filmes, sendo este somente o segundo, e outras sagas conhecidas tiveram produções que foram conectores da trama geral – Senhor dos Anéis, por exemplo. Porém, isso nunca havia acontecido no universo de J.K. Rowling; mesmo com pontas soltas, cada filme/livro sempre teve um começo-meio-fim, o famoso “roteiro-redondinho”, enquanto que em “Crimes de Grindewald” vários plots são iniciados, mas poucos deles fechados e, um número menor, bem desenvolvidos. Pode ser que após a exibição do terceiro filme, “tudo faça sentido” mas, não me agrada a ideia de esperar dois anos para compreender uma história de forma ordenada e clara. Mesmo o argumento da “revelação” do final foi “jogado” no telespectador, com pouca ou nenhuma construção – sem citar as interferências que acarretará na história que já conhecemos. Pessoalmente, sair do cinema com mais interrogações que respostas ou embasamentos foi bastante incômodo.

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  • Johnny Deep: Criticou-se muito a escolha do ator, e por mais que me desagrade a “pessoa” de Deep e os fatos negativos já divulgados sobre ele, é inegável o quão bem ele está como Grindewald. Dar “vida” à um personagem tão contraditório, que acredita em um discurso terrível mas o prega de forma tão eficaz que parece ter sentido e torna-se sedutor, não é uma tarefa fácil; o ator a cumpriu com maestria – e sem nenhuma sombra de Jack Sparrow! Jude Law também estava excelente nas poucas cenas como Dumbledore, e a ansiedade para vê-los contracenando, cresceu.
  • Leta Lestrange: agora sim faço um mea-culpa e confesso que não gosto da Zoe Kravitz. Acho ela péssima atriz, inexpressiva e fria… o que obviamente pode ter afetado minha empatia pela personagem, mas tanto foi falado sobre a mesma que esperei um desenvolvimento maior – de caráter, história e até mesmo do passado de Leta. Os fatos contados e mostrados foram confusos e pouco cativantes.
  • Newt: sou fã de Eddie Redmayne e considero ele perfeito no personagem, mas é possível ver traços da atuação dele como Stephen Hawking em Newt – o que não chega a ser negativo, mas chama mais atenção do que deveria.

Concluindo, preciso assistir novamente o filme e principalmente o próximo para ter uma opinião mais concreta, mas a frustração de não sair do cinema “amando” o que vi – principalmente quando se é fã – é inevitável. Espero que produção e autora assimilem todas as críticas que vêm sendo feitas e façam as mudanças necessárias, para que Animais Fantásticos consiga corresponder ao alto patamar de qualidade construído ao longo dos filmes de Harry Potter.

Abaixo, deixo o vídeo – COM SPOILERS – do canal Toga Voadora, uma das análises que mais gostei sobre o filme.

Fonte: Canal Toga Voadora

Review: Good Girls – Netflix

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Tem um bom tempo que assisti à esta série e sinceramente nem havia pensado em fazer um post sobre ela, mas diante da “enxurrada” de produções de suspense, drama e terror que estão sendo disponibilizadas, não tem sido raro amigos e seguidores me pedirem indicações de séries “leves”. E Good Girls atende bem à este pedido sem ter uma trama boba ou atuações rasas.

A série, criada por Jenna Bans e exibida inicialmente pela NBC no começo deste ano, conta a história de três mães de classe-média americanas, que diante de complexas dificuldades financeiras decidem assaltar um mercado local, com o objetivo de conseguir apenas a quantia para a solução imediata de seus problemas. Porém, sem saber roubam muito mais que o planejado e acabam se envolvendo com o Chefe do Crime local, em uma trama cheia contratempos e péssimas, mas divertidas, decisões.

O elenco principal é formado por Christina Hendricks (Mad Men), Retta (Parks and Recreation) e Mae Whitman (Parenthood, As vantagens de ser Invisível). Também estão na produção Matthew Lillard, Manny Montana e Reno Wilson.

Apesar de toda a comédia, a série possui sua carga dramática – a personagem de Retta precisa do dinheiro para pagar o tratamento da filha pequena, que sofre com uma grave doença e Whitman luta para trocar a filha transgênero do colégio onde estuda e sofre bullying. As atuações estão excelentes, com todos os envolvidos permeando entre a tênue linha “mocinho/vilão” e os dilemas éticos que lhe pertencem. Destaque para a atuação de C. Hendricks, mais uma vez maravilhosa e com uma construção de personagem sutil porém enorme.

A série é curta, possui só 10 episódios e é fácil de assistir ou maratonar. E se as “pontas soltas” do final tirarem seu sossego, não se preocupe – a criadora já confirmou a segunda temporada, que segundo a mesma, terá um caráter mais “sombrio”. Confiram!

Fonte: Trailers de Filmes – https://www.youtube.com/channel/UCfguZkY6F_AS7Z30waJv6xg

Resenha: O ódio que você semeia, Angie Thomas – Editora Galera

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Eu li este livro já faz um tempo, mas precisei absorver todo o conteúdo que ele me trouxe para poder falar sobre ele; e mesmo assim acredito que não farei jus à obra. O Ódio que você semeia, escrito pela americana Angie Thomas é um dos livros que mais me ensinaram sobre racismo desde o clássico O Sol é para Todos, de Harper Lee. Porém, a escrita de Angie Thomas é atual, clara e direta, o que torna a mensagem transmitida no livro ainda mais forte.

A obra conta a história de Starr, “uma adolescente negra de dezesseis anos que presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco. Ela é forçada a testemunhar no tribunal por ser a única pessoa presente na cena do crime. Mesmo sofrendo uma série de chantagens, ela está disposta a dizer a verdade pela honra de seu amigo, custe o que custar.”

Pessoalmente, foi muito importante e enriquecedor ler uma história contada por uma protagonista que possui um lugar de fala tão diferente do meu e dos livros os quais estou habituada a ler. A trama se passa nos Estados Unidos, mas poderia muito bem ter acontecido em alguma comunidade carioca ou na periferia paulista, aliás poderia acontecer em QUALQUER lugar. Acredito que meu “encantamento” com a obra não esteja só, já que o livro chegou ao 1º lugar na lista do New York Times na semana de seu lançamento e ganhou uma adaptação para os cinemas, cuja estreia é dia 6 de dezembro – e as críticas não poderiam ser melhores. A adaptação traz nomes conhecidos no elenco: Amandla Stenberg (Jogos Vorazes, Tudo e todas as coisas, Mentes Sombrias), KJ Apa (Riverdale), Common, Russel Hornsby, dentre outros. Infelizmente, um fato triste: a roteirista do filme, Audrey Wells, faleceu vítima de câncer um dia antes da estreia norte-americana; ela tinha 58 anos.

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Muitos pais me perguntam um bom livro para seus filhos adolescentes lerem; além de Harry Potter, que sempre indico, gostaria de acrescentar especialmente este como uma opção mais que obrigatória. Aliás acredito que O Ódio que você semeia é o tipo de livro que deve ser lido por todos, de todas as idades e em todos os momentos. E que as temáticas propostas no livro sejam discutidas em demasia, principalmente neste período de tamanha intolerância pelo qual estamos atravessando. Foi um excelente leitura e estou muito ansiosa para o filme. Indico!