Resenha: Canção de Ninar, Leila Slimani – Tusquets Editores

Facetune

Um soco no estômago.

É impossível pensar em outra expressão para resumir a leitura de Canção de Ninar, da escritora franco-marroquina Leila Slimani. Meu primeiro contato com o livro foi assistindo à entrevista da escritora no programa Milênio da Globo News (aliás muito bem direcionada pela repórter Leila Sterenberg). Fiquei muito curiosa com a trama, com a crítica social proposta pela autora e pelos prêmios conquistados pelo livro, que o comprei no dia seguinte.

Desde as primeiras páginas, Slimani acaba com qualquer zona de conforto possível do leitor. A história se passa em Paris, mas poderia ter acontecido em qualquer outra cidade, com qualquer outra família.

O livro não é longo, mas é denso, difícil e incômodo, obrigando-nos a repensar certos hábitos que por ventura tenhamos, e na injustiça diante de uma hierarquia de trabalho. Expõe a facilidade com que personificamos as pessoas à nossa volta e esquecemos que, por trás de uma babá, empregada, entregador, atendente, advogada… existe um ser humano com história, anseios e questões.

O fato do livro não possuir um único narrador foi uma excelente estratégia, pois nos permite ver diferentes pontos de vista da situação que está se construindo, e nos solidarizarmos – ou não – com as personagens envolvidas na trama. Ouso dizer que o livro não defende um argumento unilateral, é possível concordar com ambos personagens em lados opostos de uma discussão, mas nos tira do lugar “comum” de não enxergamos as maneiras as quais trabalhadores e empregados são afetados, durante este conturbado relacionamento como, por exemplo, no caso de babá-pais.

Muitas passagens me remeteram ao filme “Que horas ela volta” , dirigido por Anna Muylaert e protagonizado por Regina Casé – se você não conhece, assista – e a crítica exaltada no filme. A diferença fica a cargo das protagonistas: enquanto a personagem de Regina Casé é uma otimista incurável, a Louise descrita por Slimani é um ser humano cujo juízo vai se modificando e fica marcado pelos duros acontecimentos  e abusos sofridos em sua vida.

Concluindo, Canção de Ninar não aborda apenas uma questão social, mas também como a solidão, a depressão e necessidade de pertencimento podem afetar diretamente o ser-humano e seus atos. Leiam.

Sinopse:

“Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos de classe e entre culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês. “A tensão latente em cada página aquece aos poucos a análise da burguesia, até ser dinamitada por um impulso de violência instintiva.” Stéphanie Dupays e Eric Loret, Le Monde.”

Fonte: www.amazon.com.br

Link para compra:

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