Game Of Thrones e o polêmico S07E06 (SPOILERS)

Ontem, assistimos ao penúltimo episódio da sétima temporada de Game Of Thrones, TVshow baseado na série de livros “As Crônicas de Gelo e Fogo”, do escritor americano George R. R. Martin. A produção do canal HBO é uma das séries de maior sucesso e repercussão das últimas décadas, quebrando recordes de orçamento, produção, audiência e colecionando milhares de fãs de diferentes “tribos” e idades em todo o mundo.

 

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Game of Thrones destacou-se desde o início por seguir à risca o que foi escrito pelo autor, independente se os acontecimentos agradariam o público ou não. Particularmente, eu entendi que estava assistindo a algo diferente quando, na 1ª temporada, vi Ned Stark (no momento um dos personagens mais queridos e centrais da trama) ser decapitado. Aliás, me lembro bem em pensar: “ele não vai morrer, nunca iriam matar um personagem desta importância” e bom… ele foi o primeiro de uma extensa e dolorosa lista – desafio alguém que não tenha enchido os olhinhos durante a morte de Hodor. Então, somados à uma história muito bem escrita e a uma grandiosa produção, GOT sempre contou com o elemento surpresa, o que foi essencial pro crescimento da série, atraindo fãs que a amam e também amam odiá-la em algum momento.

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Atualmente, a história contada na série encontra-se mais avançada do que nos livros, já que o último volume publicado corresponde ao final da 5ª temporada, e não existe uma previsão confirmada de quando o escritor entregará o próximo. Sendo assim, o enredo a partir da 6ª temporada é escrito pelos roteiristas da série, com alguma supervisão de George R. R. Martin. É importante ter isto em mente ao longo deste texto.

Seis anos se passaram e chegamos ao episódio de ontem, que foi um enorme divisor de águas entre os fãs da saga. No mundo todo, telespectadores estão divididos por sentimentos de amor e ódio pelos últimos acontecimentos, e “pipocaram” textos em forúns, lives, facebook, twitter e blogs (inclusive neste). E independente se você é do time “amei” ou “odiei” uma coisa é certa: o que assistimos ontem está muito distante do que nos foi apresentado nas primeiras temporadas.

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Não sei se seria correto dizer que odiei o episódio, mas estou bastante frustrada com os rumos que a série está tomando. Li bastante conteúdo na internet, desde de sites especializados à blogs de fãs, vi algumas lives (Monet, Omelete e Galileu, sendo o último o meu favorito), assisti novamente o episódio e então cheguei à algumas conclusões do “porque” do mal-estar causado. E aqui estão elas:

  • Sétima Temporada x Tempo:

Acho que este é o ponto que rendeu o maior número de reclamações: a temporalidade em Westeros. O que antes demorava duas temporadas para acontecer, na sétima acontece no mesmo episódio. E ontem isso foi muito intensificado: vimos Gendry ir e voltar do encontro com os White Walkers para a Muralha mais rápido que o Usain Bolt, Daenerys chegar com os dragões até além da muralha em questão de minutos e Jon retornar para a muralha machucado sobre um cavalo que correu mais do que se estivesse no Grande Prêmio.

E não é a primeira vez que coisas deste tipo acontecem na temporada: os navios de Euron Greyjoy transitavam por Westeros como se fossem foguetes. Não, não estou pedindo por legendas tipo “dias depois”, mas acho que a velocidade dos acontecimentos está atrapalhando o desenvolvimento dos mesmos na trama. Sabemos o orçamento que GOT demanda da HBO, e o desejo do canal em entregar episódios grandiosos, cheios de efeitos,batalhas e cenas especiais, e por isto, a decisão por uma temporada mais curta. Mas, talvez, os dois episódios reduzidos dos habituais dez por temporada tenham afetado diretamente o desenvolvimento e a qualidade da história.

  • Daenerys X Jon Snow: romance e luto pelo dragão.

É mais simples do que parece. Uma Rainha que se autodenomina “mãe dos dragões” não pode ter aquela reação pobre de ontem ao ver o assassinato de um de seus filhotes e ponto. E muito menos estar mais preocupada com o retorno do possível, provável e futuro “mozão” do que triste por perder um de seus dragões. Mas, como quero ser justa, vamos considerar alguns fatos: a temporalidade da série pode mais uma vez ter atrapalhado, já que os acontecimentos não se desenvolveram; Daenerys já passou por muitas coisas incluindo estupros, ser vendida e assistir ao assassinato do próprio irmão, então seu emocional é mais que “endurecido”; e o principal deles: Emilia Clarke é péssima atriz (sinto muito, mas é).

Outra questão é que por mais que um romance entre Jon e Dany agrade este nunca foi o foco da série. O mais perto de romance que já vimos em GOT foram as relações de Tyrion com uma prostituta (me desculpem, não lembro o nome), Robb Stark e Talisa (não preciso lembrar como terminou) e Jaime e Cersei (um caso básico de incesto entre gêmeos). Um romance fofinho não combina com GOT, que possui um universo de guerras, casamentos arranjados, estupros, mortes bizarras, algo como o “Montanha” e etc – simplesmente não se encaixa no contexto. Os dois sentirem uma atração um pelo outro e sucumbirem a isto ok, mas aquela ceninha melosa com aperto de mão não cabe no contexto. E mais uma coisa para esclarecer: não aguento mais ler que caso os dois fiquem de fato juntos seria incesto assim como Jaime e Cersei; não é. Daenerys é irmã de Rhaegar, possível pai de Jon, e um relacionamento entre tia e sobrinho por mais estranho e nada convencional que seja não é igual a um relacionamento entre irmãos.

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  • O plot de Sansa e Arya:

O episódio de ontem transitou basicamente por três núcleos: Pedra do Dragão – Além da Muralha – Winterfell, sendo grande a interação entre os dois primeiros, o que deixou Winterfell flutuando entre conflitos políticos e guerra. A questão entre as irmãs Aria e Sansa é importante e tem tudo para revelar a desprezível personalidade de Mindinho (e até mesmo resultar em sua morte, por que não?!), mas ficou tão picotada e inserida entre outras cenas de maior impacto, que perdeu força. Parecia um “respiro” na tensão do que estava acontecendo além da Muralha. Era melhor que o episódio de ontem tivesse sido focado somente na batalha, deixando o plot das irmãs para o próximo. Em tempo: observem como mais uma vez a pressa em entregar os acontecimentos está afetando a qualidade da trama.

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  • GOT e o fanservice:

Quando terminou o episódio de ontem, fiquei incomodada com o fato de uma batalha daquela magnitude ter causado somente as mortes de Thoros e Benjen, o que não é nada parecido com o que assistimos em outras temporadas em GOT. Morreu o dragão, claro, e isto foi impressionante, o que realça ainda mais o pequeno número de mortes de humanos. Adoro Thormund, ele é um dos poucos alívios cômicos da série, mas ontem uma morte cabia ao ciclo dele, pois estava lutando contra seus primeiros inimigos, no seu território, etc, e não aconteceu. E como estou focando no episódio passado, não vou me estender a outros exemplos, como Jaime caindo em um lago com armadura de ferro – e sobrevivendo.

Eu assisti a exatamente ao que eu queria e aí está outro ponto que não se encaixa em GOT. Cadê o efeito surpresa de outros tempos? Nesta temporada, os produtores estão entregando exatamente o que os fãs gostariam de assistir. Não que isto seja ruim, mas se a série for finalizada com base nos desejos dos fãs, será um final muito indigno para tudo que George R R Martin construiu. Os roteiristas precisam correr atrás de um equilíbrio urgentemente, senão corremos o risco de ter um fechamento muito simplório diante de uma história que construiu um enredo bastante complexo e de qualidade.

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Como o foco foi no episódio passado, e não sou expert em Game of Thrones, não quis me estender a outras falhas que vem aparecendo, como: o papel de Tyrion até agora na temporada, a ausência de Missandei nos últimos episódios, os resgate do dragão morto com aquele “mar” de correntes (mas ok, eles tinham um urso polar, metros e mais metros de correntes não é tão impensável assim), por que Daenerys foi com os três dragões e na outra batalha usou somente Drogon, dentre outros… E se o final se encaminhar focado em uma guerra entre mortos e vivos, é isso mesmo a que deve se resumir Game of Thrones, depois de todas as tramas políticas e temporadas passadas? Será?

Só consigo concluir que os roteiristas tem um desafio enorme pela frente pois, agradar ao público, entregar um conteúdo de qualidade e honrar o que já foi escrito por George R R Martin não será uma tarefa fácil.

Vamos aguardar. E torcer por um final de temporada melhor do que o episódio que assistimos ontem.

 

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