Arquivo | outubro 2016

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, Ransom Riggs

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Esta é uma resenha crítica.

De acordo com a sinopse do livro, encontrada no site da editora Leya, O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares trata-se de “Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época,… vai deliciar jovens, adultos e qualquer um que goste de uma aventura sombria”; porém, caso você tenha acompanhado o Leitora Dinâmica nas últimas semanas, percebeu a dificuldade que eu tive em finalizar esta leitura e minha teimosia em não abandoná-la. Mais uma vez, peço desculpas aos fãs da série, mas preciso expor minha sincera opinião.

O enredo conta com elementos interessantes, como: drama familiar, reverberações da 2ª Guerra Mundial, viagens no tempo, elementos de fantasia, romance juvenil, suspense, perseguições e fotos reais e curiosas. Com tudo isto, a expectativa ao iniciar a leitura é encontrar um enredo movimentado e instigante certo? Mas, infelizmente, isto não acontece.

O livro pode ser dividido “bruscamente” em duas partes: antes e depois do personagem principal, Jacob, chegar à Ilha. A primeira parte é composta por um ritmo tão lento, com detalhes insignificantes tão minuciosamente descritos, que a sensação é estar lendo em “looping”. Ao mesmo tempo, ganchos importantes na história, como os relacionamentos do protagonista com seus familiares e amigos, e até a personalidade do garoto, são descritos de forma superficial – com exceção da relação com o avô.

Durante a “primeira parte da história” eu pensei em desistir do livro diversas vezes; o enredo não despertou minha curiosidade e não criei empatia por nenhum personagem. Mas, muitos me disseram para insistir, que após a chegada de Jacob à Ilha, o ritmo seria outro. De fato o ritmo melhora, mas fica longe de prender a atenção; a escrita extremamente minuciosa do autor, confusa em muitos momentos devido à quantidade de detalhes, permanece.  E o elemento-surpresa em torno do psiquiatra de Jacob, mostra-se muito previsível cedo demais.

Alguns pontos críticos da história ficaram mal ou não explicados satisfatoriamente. O elemento-surpresa em torno do psiquiatra de Jacob mostra-se muito previsível cedo demais. A personagem da Srta. Peregrine, cujo nome está no título da obra, é pouco aprofundada, com suas aparições resumidas sempre a diálogos com Jacob, ou interações com outro grande número de personagens – não permitindo ao leitor construir uma imagem concreta da mesma (por mais que o autor dedicasse linhas e mais linhas à sua descrição física).

Terminei a leitura por teimosia e sem vontade alguma de ler os volumes seguintes – apesar do inteligente gancho ao fim da história. A obra tem seus pontos altos, claro, como as “peculiares” fotos de época (reais, por sinal) que amarram e ilustram todo o enredo. Uma estratégia muito criativa por parte do autor.

Por outro lado, acredito que o fator que mais tenha contribuído para minha insatisfação, tenha sido a dedicação de Riggs ao descrever muito detalhadamente caraterísticas físicas dos seus personagens e lugares nos quais a história se desenvolve, e pouca atenção à personalidade dos mesmos – o que não me permitiu criar vínculo nem com eles, nem com a história. Em muitos momentos minha sensação era de estar lendo uma história escrita para ser adaptado para os cinemas (o que aconteceu, aliás) algo que me incomodou bastante.

Gostaria de deixar claro que gosto do gênero, mas me agrada muito quanto consigo ter um envolvimento emocional com os personagens. Traçando um paralelo com Harry Potter, apesar da enorme – e necessária – descrição do lugar, casas e personagens da história, J. K. Rowling provoca diversas emoções no leitor. Torcemos por Harry, sentimos raiva seguida de compaixão por Snape e sofremos com o fim de Dumbledore. E isto se deve ao fato da autora não caracterizar os personagens apenas fisicamente, mas emocionalmente também, em toda sua glória e defeitos. Pessoalmente, O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, deixou a desejar neste nível de complexidade e empatia, o que foi uma pena, pois se trata de uma história com muito potencial.

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Sobre o autor: Ransom Riggs

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Início da vida e da educação

Riggs nasceu em Maryland em 1979 em uma fazenda de 200 anos de idade, e cresceu na Flórida. Ele estudou literatura Inglesa no Kenyon College, e cinema na Universidade da Califórnia do Sul.

Carreira

Seu trabalho em curtas-metragens para a Internet e blogs garantiu-lhe um emprego escrevendo The Sherlock Holmes Handbook, que foi lançado em conjunto com filme Sherlock Holmes de 2009.

Riggs colecionava fotografias vernáculas curiosas e se questionou seu editor, Quirk Books, sobre o uso de algumas delas em um livro de imagens. Por sugestão de um editor, Riggs utilizou as fotografias como um guia para montar uma narrativa. O livro resultante foi O Orfanato da senhorita Peregrine para Crianças Peculiares, que fez parte da lista de best-sellers do New York Times, e foi adaptado para o filme de mesmo nome em 2016, dirigido por Tim Burton.

O segundo romance de Miss Peregrine, Cidade dos Etéreos, foi lançado em 14 de janeiro de 2014. O terceiro volume da série de Miss Peregrine, intitulado Biblioteca de Almas, foi anunciado no início de 2015 e lançado em setembro do mesmo ano.

Vida pessoal

Riggs atualmente vive em Santa Monica, Califórnia, e em 2013 casou-se com a também escritora Tahereh Mafi.

Fonte: Wikipédia, tradução livre feita pela autora do Blog.

Sinopse do Livro: O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, Ransom Riggs

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“Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares: elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo… E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares vai deliciar jovens, adultos e qualquer um que goste de uma aventura sombria.”

Fonte: Site Editora Leya

http://geral.leya.com.br/pt/literatura-fantastica/orfanato-da-srta-peregrine-para-criancas-peculiares/

Resenha: A Escolha, Kiera Cass

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O volume final da trilogia A Seleção, escrita por Kiera Cass, tem seu início marcado por inúmeras tramas em aberto, e principalmente, pela difícil “reconstrução” do relacionamento de America e Maxon. O príncipe não consegue voltar a confiar na protagonista (chegando a destrata-la em alguns momentos), que se torna cada vez mais desesperada para reconquistá-lo.

A trama que envolve a Guerra entre rebeldes e realeza ganha maior destaque, com o nascimento de uma aliança entre Maxon e os Rebeldes do Norte, contra os violentos Rebeldes do Sul. Algumas informações ficam mais claras para o leitor, como o fato de os rebeldes possuírem um informante dentro do castelo. Mais confiante, America atuará diretamente neste cenário, promovendo encontros e utilizando-se de seus contatos para ajudar a causa.

A perseguição do Rei com America intensifica-se, já que no final do volume anterior o mesmo deixa claro que fará o que for possível para dificultar a estadia da jovem na competição, impedindo-a de ser a escolhida. A menina será testada inúmeras vezes, e das formas mais severas possíveis.

Diferente dos outros dois volumes, este livro tem um ritmo bastante desequilibrado, que acaba sendo desagradável. Alguns acontecimentos “chave” da história são narrados com extrema rapidez, tornando-se confusos; já outros capítulos são dedicados inteiramente às exaustivas divagações de America.

Outro ponto que o livro ensaia um desenvolvimento, mas não se aprofunda, é a relação da protagonista com a Rainha. Os diálogos entre as duas personagens precisava de mais conteúdo, mostrando melhor a personalidade da Rainha, o que não acontece.

Aliás, o último volume da série, como já foi dito, começa com inúmeras tramas interessantes a serem desenvolvidas, e termina lotado de pontas soltas e passagens sem sentido no contexto geral da história. Caso a leitura da série seja feita em sequência, não fica muito difícil reconhecer os “buracos” no enredo. Vários são os momentos em que o leitor percebe a superficialidade com a qual alguns acontecimentos são tratados, e fica uma sensação de que havia mais a ser contado.

Os desfechos dos personagens são fracos; em determinado ponto parece que a escritora mata alguns personagens e/ou une outros pelo simples fato de não saber o que fazer com eles. Mesmo entre os protagonistas, o “vai-e-vem” emocional fica cansativo, e o “gran finale” prometido ao longo de toda a saga, pobre. Ficaram faltando passagens, diálogos, conflitos que não aconteceram – o que explica a existência dos livros spin-offs. Claramente havia a necessidade de explicar melhor algumas tramas e relações.

Concluindo, de toda a trilogia, infelizmente o último volume é de longe o mais fraco e decepcionante. Começou com altas expectativas, com material para um desfecho épico, que não acontece. A leitura é válida como um todo, a história é instigante, os personagens interessantes e o enredo empolga, mas em A Escolha a escritora infelizmente não consegue manter a mesma qualidade dos livros anteriores.

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Nota da Leitora Dinâmica: É frustrante quando o leitor apega-se a uma história, e ganha um desfecho como o último volume da trilogia A Seleção. Ficou uma sensação de que a escritora terminou a história porque precisava fazê-lo, sem pensar muito no contexto geral, deixando o texto ora entediante, ora confuso, devido à quantidade de eventos simultâneos. Esperava muito de alguns personagens e principalmente de algumas relações a serem exploradas, como por exemplo, um vínculo “mãe e filha” entre America e a Rainha, algo ensaiado várias vezes e que não é aprofundado. O livro promete, mas não cumpre – o que é uma pena.

 

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Sinopse do Livro: A Escolha, Kiera Cass

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“America era a candidata mais improvável da Seleção: se inscreveu por insistência da mãe e aceitou participar da competição só para se afastar de Aspen, um garoto que partira seu coração. Ao conhecer melhor o príncipe, porém, surgiu uma amizade que logo se transformou em algo mais… No entanto, toda vez que Maxon parecia estar certo de que escolheria America, algum obstáculo fazia os dois se afastarem.
Um desses obstáculos era Aspen, que passou a ocupar o posto de guarda no palácio e estava decidido a reconquistar a namorada. Em encontros proibidos, ele a reconfortava em meio àquele mundo de luxos e rivalidades. Com essas idas e vindas, America perdeu um pouco de espaço no coração do príncipe, lugar que foi prontamente ocupado por outra concorrente. Para completar, o rei odiava America e a considerava a pior opção para o filho. Assim, tentava sabotar a relação dos dois, inventando mentiras e colocando a garota em prova a todo instante.
Agora, para conseguir o que deseja, America precisa cortar os laços com Aspen, conquistar o povo de Illéa e conseguir novos aliados políticos. Mas tudo pode sair do controle quando ela começa a questionar o sistema de castas e a estratégia usada para lidar com os ataques rebeldes…”

 

Fonte: Site Editora Seguinte

http://www.editoraseguinte.com.br/titulo/index.php?codigo=55008